Com a inspiração da minha Triunfo querida direto da Gesta dos Estudantes. O mercado político pernambucano passou as últimas horas imerso em um festival de especulações e notas plantadas. De um lado, a articulação em torno do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho; do outro, a movimentação do deputado federal Eduardo da Fonte (Dudu). Uma disputa aberta de bastidores dentro do campo governista que tenta, a todo custo, colocar a governadora contra a parede e forçar uma escolha antecipada para o Senado.
Mas há um detalhe que muitos analistas parecem estar esquecendo:
Em Pernambuco, o Palácio não é refém de palanque!
Se a briga de vaidades e a pressão dos grupos políticos continuarem esticando a corda, a governadora tem em mãos a opção mais altiva e estrategicamente confortável: desarmar o impasse e não escolher nenhum dos dois. Deixar que tanto Miguel quanto Dudu sigam com suas candidaturas proporcionais à Câmara Federal (ou busquem caminhos avulsos) e construir uma chapa majoritária sem ruídos ou cobranças excessivas com dois nomes sempre à disposição: Túlio Gadelha e Fernando Dueire.
Essa “terceira via” palaciana ganha força justamente no momento em que a gestão demonstra curva de ascensão nas pesquisas de opinião. E a história política de Pernambuco nos ensina uma lição clara sobre esses momentos: quando o governador entra forte na disputa, é a cabeça de chapa que puxa o Senado — e não o contrário.
O peso da tradição pernambucana
Ao contrário de outros estados, onde a eleição para o Senado frequentemente se descola do governo, Pernambuco tem uma tradição marcante de “chapas fechadas” impulsionadas pela aprovação do Executivo. A história recente do estado mostra que o eleitor habituou-se a votar no “pacote completo” do Palácio:
- 1986: Miguel Arraes elegeu Mansueto de Lavor e Antônio Farias. O caso de Mansueto é o exemplo clássico dessa força: um nome até então desconhecido do grande público, um padre vindo de Petrolina, que foi alçado ao Senado no embalo do prestígio de Arraes.
- 1994: O mesmo Arraes repetiu o feito, elegendo a dupla Carlos Wilson e Roberto Freire.
- 2002: Jarbas Vasconcelos reelegeu-se garantindo as duas vagas para Marco Maciel e Sérgio Guerra.
- 2010: Eduardo Campos, no auge de sua aprovação, carimbou as eleições de Humberto Costa e Armando Monteiro Neto.
- 2018: Paulo Câmara manteve a escrita e elegeu a chapa formada por Jarbas Vasconcelos e Humberto Costa.
As alternativas de convergência
Diante dessa perspectiva histórica, fica evidente que o Palácio tem gordura política de sobra para não se render a imposições. Se a opção for por pacificar a base e buscar alternativas de convergência, nomes como Túlio Gadêlha e Fernando Dueire surgem como opções naturais e estrategicamente redondas.
Dueire oferece densidade institucional, trânsito fluído em Brasília e um perfil agregador no Senado, sem criar arestas regionais.
Já Túlio Gadêlha traz oxigenação, diálogo com setores progressistas e amplitude para além da bolha do centrão tradicional.
A mensagem que o cenário atual passa é simples: no atual quadro da política pernambucana, quem detém a caneta e o favoritismo popular dita o ritmo do jogo. Ceder ao ruído das brigas partidárias é uma escolha; impor uma solução de consenso e mostrar a força do grupo é a verdadeira tradição da política do nosso estado.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Túlio e Dueire ainda tem a chance de fazer a dobradinha da governadora para o Senado?










