Em ano de eleição majoritária, a política pernambucana tem o péssimo e conhecido vício de transformar qualquer faísca de bastidor em um incêndio de proporções jurídicas. À medida que o calendário aperta e a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas esquenta, as estratégias de marketing saem do debate de propostas e migram com força total para os tribunais e delegacias. O problema é que, no meio desse fogo cruzado entre gigantes partidários, quem quase sempre sobra para pagar o pato é a ponta mais vulnerável da engrenagem.
O episódio recente envolvendo o nome de Amizadai expõe com clareza a anatomia desse tipo de manobra. Monta-se um enredo, apontam-se dedos e escolhe-se um alvo conveniente para sustentar teses de conspiração, ataques coordenados ou uso indevido de estruturas. Para quem opera as máquinas de campanha, pouco importa se a pessoa em questão estava apenas prestando serviços ou tocando sua rotina comercial: na guerra das narrativas, o que vale é fabricar o escândalo da semana.
Amisadai de herói a vilão
Conheço Amisadai e sei que ele está sendo o elo mais fraco e vulnerável desse “imbróglio politiquento”! Amisadai Andrade da Silva é funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal e estava cedido ao Governo do Estado, onde atuava como Superintendente de Operações da Arena de Pernambuco (cargo do qual foi exonerado após as denúncias). Ele é conhecido no meio digital e de mídia regional por sua competência na atuação ligada a portais de notícias e gestão de páginas/redes de divulgação institucional e política. Uma figura gente boa que agora está sendo execrado por esse triturador de imagens humanas, numa perseguição cruel e um linchamento virtual.
O resumo da ópera:
Amisadai virou a personificação do fogo cruzado eleitoral. De profissional de bastidor e comunicação que já transitou por diferentes palanques e prestou serviços a gestões municipais e estaduais, tornou-se o troféu de acusação mútua: o PSB o acusa de operar contra a legenda a mando do Palácio, enquanto o Palácio expõe os vínculos e elogios históricos dele com o grupo da Prefeitura (como um vídeo que está circulando com Joao Campos o elogiando) para desarmar a tese de “gabinete clandestino”.
A tática da cortina de fumaça
A judicialização virou a muleta preferida dos comitês eleitorais que precisam desviar a atenção de fragilidades próprias ou frear o avanço de adversários nas pesquisas. Em vez de confrontar projetos e prestar contas à população, a prioridade passa a ser a confecção de representações no TRE, pedidos de liminar e denúncias requentadas. Cria-se o factoide para pautar a imprensa e gerar material para o guia eleitoral, sabendo de antemão que, quando a poeira assentar e a verdade vier à tona, a eleição já terá passado.
A caça aos culpados de ocasião
Quem vive e acompanha a rotina do jornalismo e da comunicação política no estado conhece a realidade dos fatos. Uma coisa é a articulação pesada de gabinetes e marqueteiros; outra, completamente distinta, é transformar profissionais da área e pequenos empreendedores digitais em vilões todo-poderosos de tramas eleitorais. Armar cenários para queimar reputações e colocar quem trabalha na linha de tiro é um expediente rasteiro, que apequena o nível da disputa em Pernambuco.
O eleitor pernambucano já atingiu maturidade suficiente para enxergar através dessas cortinas de fumaça. A tentativa de criminalizar pessoas físicas para sustentar brigas de cúpula serve apenas para expor o desespero de quem prefere o ringue jurídico ao debate aberto de ideias. O estado precisa discutir emprego, saúde, segurança, infraestrutura e equilíbrio fiscal; o resto é puro teatro de bastidor.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Quantas mais baixarias como essa nós veremos na campanha até o dia 4 de outubro?










