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Selo ESG passa a valorizar fruticultura do Vale do São Francisco


Sustentabilidade se torna estratégia de negócio na fruticultura

Antes de chegar à mesa do consumidor, uma fruta carrega decisões tomadas no campo: o uso da água, o manejo do solo, o controle de insumos, a destinação de resíduos e as condições de trabalho. Na fruticultura, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a integrar a estratégia de negócio do setor.

Terceiro maior produtor mundial de frutas, o Brasil construiu uma fruticultura diversificada e competitiva, com forte presença no mercado internacional. Em 2026, o setor avançou com o primeiro embarque de uvas brasileiras para a União Europeia beneficiado pela tarifa zero prevista no acordo Mercosul-União Europeia. O mercado europeu é considerado estratégico para as exportações do país.

Mas conquistar mercados não depende apenas de produzir mais, depende de produzir bem e conseguir demonstrar isso.

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O pioneirismo do Vale do São Francisco

Muito antes de o termo ESG se tornar comum nas decisões de compradores e instituições financeiras, a fruticultura brasileira já desenvolvia mecanismos para tornar a produção mais sustentável e rastreável. Um exemplo direto está no Vale do São Francisco, região que inclui Petrolina, em Pernambuco, onde a Produção Integrada de Frutas (PIF) começou a ser estruturada no final dos anos 1990, com culturas como manga e uva. O programa incorporou manejo integrado de pragas, monitoramento ambiental, registros das atividades, capacitação e controle de qualidade.

Na manga, os resultados mostram a dimensão desse processo: estudo da Embrapa registrou, em 2004, redução de 70% no uso de inseticidas, 31% de fungicidas, 72% de acaricidas e 95% de herbicidas. O caso demonstra que a sustentabilidade na fruticultura brasileira, e em particular na cadeia produtiva ligada ao Sertão do São Francisco, vem sendo construída há décadas, acompanhando tanto a busca por eficiência quanto a evolução das exigências dos mercados.

Mercado europeu passa a exigir comprovação

Agora, porém, existe uma diferença fundamental: o mercado quer evidências. Na União Europeia, sustentabilidade e rastreabilidade ganharam peso nas relações comerciais, aumentando a importância de informações verificáveis sobre a cadeia produtiva, a origem e os aspectos ambientais. Para a fruta brasileira, isso significa transformar aquilo que acontece dentro da propriedade em informação confiável para quem está fora dela.

Segundo Priscilla Nasrallah, diretora de ESG da ABRAFRUTAS:

“O produtor brasileiro já faz muita coisa que está dentro da lógica ESG. O grande desafio agora é transformar essas práticas em evidências, em informação organizada e verificável. Quando conseguimos fazer isso, deixamos de falar apenas que a nossa fruta é sustentável e passamos a demonstrar por que ela é sustentável. Isso tem valor comercial e fortalece a posição do Brasil no mercado internacional.”

Selo Frutas do Brasil ESG chega à versão 2.0

É nesse cenário que entra o Selo Frutas do Brasil ESG, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS). O selo busca reconhecer produtores e empresas que adotam práticas ambientais, sociais e de governança, aproximando a realidade do campo, incluindo produtores do Sertão pernambucano, das exigências dos mercados nacional e internacional.

O programa chega agora à Versão 2.0, criada para simplificar o processo para o produtor sem abrir mão do rigor necessário para o reconhecimento junto a compradores, instituições financeiras e órgãos reguladores.

Para a ABRAFRUTAS, o selo representa uma ponte entre quem produz e quem precisa reconhecer como essa produção é realizada. A fruta brasileira já conquistou espaço pela qualidade e capacidade produtiva; o próximo passo é transformar também suas práticas ambientais, sociais e de governança em um ativo reconhecido pelo mercado.

Produzir de forma responsável será cada vez mais importante. Saber comprovar como se produz é o que permitirá transformar responsabilidade em competitividade para produtores como os do Vale do São Francisco, um dos principais polos de fruticultura irrigada do país.


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