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Agricultura Familiar do Sertão Precisa de Ciência e Tecnologia, Defende Professor da UFRPE-UAST

O professor titular da UFRPE-UAST, Geraldo Eugênio, publicou nova coluna sobre agricultura familiar no Sertão nordestino, defendendo maior investimento em ciência e tecnologia voltadas ao pequeno e médio produtor rural. Segundo ele, o setor vive um momento de transformação, mas ainda enfrenta defasagem tecnológica em relação à agricultura industrial.

Da pobreza histórica às políticas públicas

O professor recorda que, durante séculos, “o pequeno produtor foi sinônimo de pobreza, desvalorização e abandono”, exceção feita aos estados do Sul e do Sudeste, onde a imigração japonesa e europeia trouxe tradição cooperativista. Já nas demais regiões do país, segundo ele, “o homem do campo estava isolado”, sem estradas, eletricidade, internet, transporte ou aposentadoria rural.

O cenário começou a mudar, aponta Geraldo Eugênio, na última década do século passado, com a criação do Ministério do Desenvolvimento Agrário pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. O professor também destaca o papel dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva na consolidação de políticas como o PRONAF (Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar) e o programa Fome Zero, posteriormente transformado no Bolsa Família.

Ainda assim, o colunista pondera que há diferenças regionais expressivas dentro da própria categoria de agricultor familiar. Enquanto no Sul predominam cadeias estruturadas como a rizicultura e a pecuária de leite, no semiárido nordestino “ainda prevalece a agricultura de subsistência”, embora as políticas públicas tenham reduzido seu peso na renda das pequenas propriedades.

Tecnologia chega, mas extensão rural regride

Um dos pontos centrais da coluna é o contraste entre o avanço do acesso à internet e à informação digital, incluindo cursos on-line, aplicativos e conteúdos no YouTube, e o sucateamento das estruturas públicas de pesquisa e extensão rural. Para o professor, essa contradição é agravada por um preconceito ainda presente entre formadores de opinião, que associam pequena produção a atraso.

“É de se admitir que, pelo fato de a maioria dos governos estaduais terem levado as instituições de pesquisa e extensão rural ao abismo, suas relevâncias sofreram grande desgaste”, afirma Geraldo Eugênio, acrescentando que nenhum estado nordestino escapa a esse quadro de defasagem.

Segurança alimentar depende do pequeno produtor, avalia colunista

Apesar das dificuldades estruturais, o professor é enfático ao apontar o papel estratégico da agricultura familiar para o país. “O futuro da segurança alimentar do Brasil está nas mãos do pequeno e médio produtor”, escreve, enquanto a produção industrial de commodities como soja e milho seguiria voltada principalmente à balança comercial.

Editais de inovação e o papel da ciência brasileira

Geraldo Eugênio também cita uma chamada pública recente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, voltada a Instituições Técnico-Científicas (ICTs) públicas para desenvolver tecnologia aplicada à agricultura familiar. Segundo o professor, mais de trezentas propostas foram apresentadas, mas o edital deve financiar apenas dez por cento do total.

Para o colunista, o resultado é “um alento e um sinal de esperança” quanto à capacidade das universidades brasileiras de gerar inovação também para culturas de subsistência, como mandioca, feijão caupi e arroz, historicamente menos priorizadas em pesquisa do que soja, milho, cana-de-açúcar e pecuária de corte.

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