A Agência Lupa, primeira agência de checagem de informações do Brasil, lançou o relatório Raio-X da Desinformação em Saúde. O levantamento, feito com apoio da Afya, grupo de ensino médico, mostra que a grande maioria dos conteúdos virais sobre saúde checados pela entidade era falsa: 87,3% dos 764 materiais analisados entre março de 2017 e junho de 2026.
Pandemia multiplicou a desinformação em saúde
O volume de conteúdos falsos disparou durante a covid-19. Em 2020 e 2021, a Lupa checou cerca de dez vezes mais conteúdos sobre saúde do que nos três anos anteriores. Segundo a agência, o padrão já existia antes da pandemia, mas ganhou escala muito maior nesse período.
Falsa autoridade médica e medo são as principais armas
A técnica mais usada é a falsa autoridade médica ou científica, presente em 21,6% dos casos. Em seguida aparecem o medo e a linguagem alarmista, com 17%. Para a fundadora da Lupa, Cristina Tardáguila, “Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima”.
Desinformação sobre vacinas e o papel do WhatsApp
Os conteúdos sobre vacinas chegaram a 38,9% das checagens entre 2022 e 2024. No período mais recente, entre 2025 e junho de 2026, o índice caiu para 20%, mas ainda é mais que o dobro do patamar anterior à pandemia. O WhatsApp é a plataforma mais associada à circulação dessas falsidades, seguido do Facebook e do Instagram. O relatório ressalta, porém, que os dados não permitem afirmar que o aplicativo seja a origem da desinformação em saúde.
Fonte e imagem Agência Brasil











