Quase fechei o computador hoje. Sabe aquela sensação de abrir as redes sociais, olhar o noticiário e sentir um peso físico no peito, como se o ar estivesse rarefeito? Foi exatamente isso. O clima para estas eleições está tão pesado, tão carregado de animosidade de todos os lados, que a vontade que dá é fechar a janela, fingir que o mundo lá fora não existe e se refugiar no silêncio.
Se você também tem sentido essa exaustão, saiba que não está sozinho. A gente chega a um ponto em que a política que deveria ser a arte do encontro, do debate de ideias e da construção de um futuro comum parece ter se transformado em uma arena gladiatória. Não importa para onde se olhe, há uma cobrança por alinhamentos absolutos, um clima de “nós contra eles” que não deixa espaço para a dúvida, para a nuance, nem para o erro.
O que mais dói nesse cenário não é apenas a divergência de opiniões; é a perda da humanidade no meio do caminho. Sou do tempo de uma cobertura com meu mentor, EDVALDO MORAES, de campanhas onde se prevalecia o respeito. Já cheguei a presenciar dois comícios na mesma noite, na mesama cidade, como aconteceu em Bezerros com Jarbas e Arraes na mesma praça, de um lado um e de outro o outro e nada acontecer de grave no pós evento.
O que vemos hoje é: amizades de anos estremecidas, famílias que evitam certos assuntos no almoço de domingo, e um clima constante de que o outro não é apenas alguém que pensa diferente, mas um inimigo a ser aniquilado. Isso desgasta a alma. E o pior: paralisa. Dá vontade de desistir de falar, de escrever, de participar.
Mas, pensando bem, desistir é exatamente o que esse clima tóxico quer. Quando o cansaço nos vence, o espaço do diálogo sensato é ocupado inteiramente pelo grito. Faça isso nestas últimas horas, fale com seu próximo e o convensa a deflagar na urna o nosso próximo presidente.
É por isso que, em vez de me calar hoje, decidi escrever. Não para apontar o dedo para este ou aquele lado, nem para fingir que tenho soluções mágicas para o país, mas para lembrar de algo básico que estamos esquecendo: nós ainda somos pessoas muito importantes na vida de quem está ao nosso redor!
Precisamos reaprender a exercitar a empatia. Olhar para o outro e lembrar que, por trás de uma camisa de campanha, de um voto divergente ou de uma postagem inflamada, existe alguém que também tem medo, que quer segurança para a sua família, que busca dignidade e que, na maioria das vezes, só está tentando sobreviver a um tempo caótico do seu próprio jeito.
Se você também está cansado, permita-se pausar. Respire fundo, afaste-se um pouco da tela se precisar. Mas não deixe que o desespero apague a sua capacidade de se importar. Porque o antídoto para a desumanização da política não é o silêncio, é a reconexão com aquilo que nos torna humanos.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Você está cansado da mesmice cruel que nosso país esta vivendo?








