
João Gilberto pelas lentes do compositor sertanejo Maurício Dias
Instrumentista de Juazeiro, lado baiano no Vale do São Francisco teve forte influência musical de seu amigo e conterrâneo João Gilberto
Postado em 13/05/2022 11:00

Mauriçola é fã declarado de João Gilberto. Foto: Arquivo pessoal
Conterrâneo, admirador, amigo e discípulo do saudoso João Gilberto, o também nascido em Juazeiro, na Bahia, o cantor, compositor e instrumentista Maurício Dias bateu um papo com a redação do JS Digital e nos fala sobre como a Bossa Nova e como sua amizade com João Gilberto influenciou sua carreira até os dias de hoje.
“A Bossa Nova é meu leme, ponto de partida e reta de chegada”, declarou. Conhecido no meio musical como Mauriçola, seu estilo passa pelo pop até o tropicalismo e, segundo ele, fruto da sua vivência musical com João Gilberto e os Novos Baianos.
Mauriçola é fã declarado de João Gilberto. Eles se conheceram há cerca de 40 anos e estreitaram a amizade e a admiração pelo trabalho único desenvolvido por João, que desconstruiu o samba para reconstruí-lo em bossa.
“Me interessei por música muito cedo, João era um imaginário na minha infância, ele também de Juazeiro, chamava minha atenção com sua bossa nova”, revela.
A musicalidade de João Gilberto
Para entender o ídolo, Maurício estudou muito as músicas e composições de João Gilberto para compreender a complexidade do estilo que tomava conta do mundo, à época.
“João Gilberto influenciou a minha maneira de cantar, de tocar, da dissonância na música brasileira. Um gênio musical”, afirma Dias, citando ainda a suavidade, o jeito de emitir o som de voz e violão únicos e incomparáveis.
“Para mim ele é a perfeição no seu jeito de tocar, cantar. Tudo que ele cantou virou bossa nova, no seu violão”, afirmou.

Se ainda estivesse vivo, João Gilberto completaria, em junho, 91 anos de idade
Vida longa
Se ainda estivesse vivo, João Gilberto completaria, em junho, 91 anos de idade. O artista morreu em julho de 2019, aos 88 anos, no Rio de Janeiro. Devido a pandemia do novo coronavírus, não houve grandes homenagens ao músico, mas sua memória não será esquecida, se depender de Maurício Dias e de sua terra natal.
“Ele partiu, mas sua obra é reconhecida pelo mundo e em nome de tudo que admiro voltei a morar em Juazeiro com um objetivo fazer com que nossa cidade seja mais musical e mais João Gilberto, todos precisam de música, de bossa e precisamos festejar mais a sua obra”, pontuou.