
Emprego feminino cresce 11%, mas mulheres ainda ganham 21,3% menos que homens
A presença das mulheres no mercado de trabalho brasileiro avançou 11%, com destaque para o aumento das oportunidades entre mulheres negras e pardas
Postado em 29/04/2026 08:58

Victor Caiano/Divulgação
Apesar do crescimento, a desigualdade salarial de gênero persiste: mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que homens em empresas privadas com 100 ou mais empregados.
Os dados fazem parte do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo o levantamento, o número de mulheres ocupadas passou de 7,2 milhões para 8 milhões — um acréscimo de cerca de 800 mil trabalhadoras.
O avanço foi ainda mais expressivo entre mulheres negras (pretas e pardas), com crescimento de 29% no número de ocupadas, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões.
Mesmo com a ampliação do emprego, a diferença salarial praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior. Em 2023, as mulheres ganhavam 20,7% a menos que os homens; agora, a defasagem é de 21,3%. Já no salário mediano de contratação, a diferença passou de 13,7% para 14,3%, considerada estável.
O relatório se baseia em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e reúne informações de cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados.
Atualmente, o salário médio no país é de R$ 4.594,89, enquanto o salário contratual mediano é de R$ 2.295,36.
A participação feminina na massa de rendimentos também cresceu, passando de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, o percentual segue abaixo da presença das mulheres no mercado de trabalho, que é de 41,4%.
Para igualar essa proporção, seria necessário um aumento de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras. Segundo o governo, esse ajuste poderia impactar positivamente o consumo das famílias, embora represente custo adicional para as empresas.
O levantamento aponta avanços em políticas corporativas, como jornada flexível, auxílio-creche, ampliação de licenças parentais e planos de cargos e salários. Também cresceu o número de empresas com menor desigualdade salarial.
Por outro lado, persistem diferenças regionais. Estados como Pernambuco (89,3%), Ceará (90,5%) e Piauí (92,1%) apresentam menor desigualdade. Já Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná concentram os maiores níveis de disparidade.
O relatório integra a aplicação da Lei nº 14.611/2023, que estabelece a obrigatoriedade de transparência salarial e prevê medidas para combater a discriminação e promover maior equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.