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O peso que faz falta em Brasília: Maurício Rands e o desafio de reconstruir pontes por Pernambuco

Quem esteve ontem à noite no Boteco Porto Ferreiro, na Zona Norte do Recife, testemunhou mais do que o lançamento de duas obras fundamentais para entender o Brasil. O prestigiado lançamento de “O STF – Entre a Relevância e a Disfuncionalidade”, escrito pelo advogado e cientista político Maurício Rands em parceria com João Maurício Adeodato (*in memoriam*), acabou se transformando em um termômetro político indiscutível. Ao lado de seu irmão, o economista Alexandre Rands (que lançou “O Grande Fracasso”), Maurício reuniu juristas, empresários e lideranças políticas de diversas correntes. Mais do que celebrar uma produção intelectual de fôlego, o evento deixou claro que Pernambuco sente falta de quadros com a estatura dele no debate público. E o momento para essa reflexão não poderia ser mais oportuno: Rands ensaia o seu retorno à disputa por uma vaga na Câmara Federal pelo Avante.

O intelectual que sabe operar o Legislativo

Para compreender o tamanho do ativo que Maurício Rands representa, é preciso olhar para trás. Doutor por Oxford, professor da UFPE e advogado trabalhista de destaque, Rands nunca foi um teórico de gabinete. Quando esteve na Câmara Federal, entre 2003 e 2010, tornou-se rapidamente uma das vozes mais influentes do Congresso Nacional.

Presidiu a prestigiada Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi líder de bancada e figurou consecutivamente na lista dos parlamentares mais influentes do país pelo DIAP. Ele era o homem dos grandes debates institucionais, da Reforma da Previdência às grandes defesas de direitos da sociedade.

A lição de coerência de 2012

A história de Rands também é marcada por um dos gestos mais raros e dignos da política pernambucana recente. Em 2012, no auge do seu poder político, quando ocupava a Secretaria de Governo na gestão de Eduardo Campos e era peça-chave nas decisões do estado, ele se viu no centro de uma divisão interna severa em seu antigo partido.

Em vez de se apegar ao cargo ou alimentar disputas que considerava nocivas, Maurício tomou uma decisão drástica: abriu mão de tudo. Renunciou ao mandato de deputado federal, deixou o governo e retirou-se da vida pública partidária para voltar às salas de aula e aos tribunais de advocacia. Mostrou que, para ele, a coerência ética e o respeito aos seus princípios valiam muito mais do que qualquer mandato ou projeto de poder a qualquer custo.

Por que Pernambuco precisa dessa volta?

O livro lançado ontem traz uma provocação crucial: como as nossas instituições – especialmente o Supremo Tribunal Federal – navegam entre a relevância de proteger a democracia e as disfuncionalidades que travam o país? É exatamente essa capacidade de enxergar o macro, de debater o desenho do Estado brasileiro sem paixões cegas, que está em falta na bancada federal de Pernambuco.

O retorno de Maurício Rands à cena eleitoral pelo Avante não é apenas a volta de um candidato ao voto; é a reintrodução de um “peso-pesado” na política do nosso estado. Brasília hoje é movida pelo pragmatismo das emendas e pela polarização estridente. Ter de volta um parlamentar respeitado nacionalmente por sua capacidade de formulação, com trânsito livre e inteligência jurídica, é o tipo de reforço que Pernambuco precisa para voltar a liderar os grandes debates do Nordeste e do país.

Ontem foi noite de autógrafos. Amanhã, pode ser o reencontro de Pernambuco com o melhor da sua representação política no Congresso Nacional.

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