O cenário político em Pernambuco vai se desenhando, na semana que antecede a campanha oficial, com movimentos que merecem reflexão atenta. Duas frentes recentes ilustram bem como a dinâmica eleitoral do nosso estado é viva, volátil e imune a fórmulas prontas. A reação da governadora Raquel Lyra nos levantamentos de intenção de votos encontrou uma forte causa que foi oficializada pelo próprio número das pesquisas. A reeleição da governadora esta sendo alavancada pelo eleitorado jovem. A outra frente diz respeito às articulações de bastidor na chapa majoritária da oposição que tentam tratar o apoio de prefeitos como uma transferência automática de votos.
O eleitor jovem como fiel da balança
Os números mais recentes das pesquisas acenderam o alerta nos bastidores do Recife. A curva de crescimento da governadora Raquel Lyra e a ultrapassagem em relação a João Campos ganharam explicação precisa na análise da jornalista Malu Gaspar: o grande motor dessa ascensão foi a reconquista e a adesão do público jovem. O eleitorado jovem em Pernambuco sempre foi um termômetro de mudança. É um segmento menos preso a amarras partidárias ou a heranças tradicionais de voto, reagindo muito mais à percepção de entregas, linguagem e perspectiva de futuro. Para o prefeito da capital, que construiu boa parte de sua projeção recente justamente sobre a hegemonia com a juventude, a perda dessa exclusividade reconfigura o jogo. Mostra que o eleitor mais novo não tem dono e que a disputa pelo Governo do Estado está inteiramente aberta.
A ilusão do endosso de “porteira fechada”
Do outro lado do campo político, chama atenção o movimento do senador Fernando Dueire ao selar apoio à reeleição de Humberto Costa para o Senado. Ao reunir dezenas de prefeitos que o apoiaram para consolidar o gesto, cria-se na narrativa política a ideia de que quase meio cento de municípios passará a marchar compulsoriamente com o candidato petista. Quem conhece o chão de fábrica da política pernambucana , principalmente nos rincões do Estado, sabe que a realidade do interior não funciona assim. Em Pernambuco, a transferência mecânica de votos é uma ilusão que a história insiste em desmentir. Vamos lá:
A independência do eleitor: O cidadão no interior pode aprovar a gestão do seu prefeito para o dia a dia da cidade, mas reserva para si total autonomia na hora de escolher quem vai representá-lo no Senado ou no Governo. O voto majoritário não é e nunca foi, propriedade do gestor municipal.
A lógica dos palanques locais: Os próprios prefeitos que compõem essa base sabem da complexidade de suas alianças locais. Em muitos municípios, o prefeito fecha com Humberto no papel, mas precisa conviver com vereadores, lideranças e deputados da sua base que pedem voto para outros nomes ao Senado. A entrada no jogo do deputado Mendonça Filho que o diga o quanto isso está acontecendo por todo território de Pernambuco.
Pragmatismo de sobrevivência: O apoio firmado por lideranças estaduais atende a arranjos de governabilidade e liberação de emendas, mas na hora em que a urna abre, o que conta é o trabalho de convencimento pé no chão e a identificação direta do candidato com o povo. Aquela política dos coroneis de perguntar “quanto o prefeito quer para o candidato nào pisar no município” já deixou rastros de traições pelo caminho.
A política do nosso Pernambuco traz duas lições claras para este momento: nenhum favoritismo está imune ao movimento de tsunami da juventude e nenhum acordo de cúpula garante eleição sem combinar antes com o eleitor.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Será que o senador Fernando Dueire consegue repassar ao menos 50% dos seus prefeitos para Humberto Costa?










