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A duplicação da BR 232 sai do papel

O trecho duplicado da BR-232 entre os municípios de Caruaru e São Caetano foi oficialmente inaugurado em janeiro de 2008, embora quase toda a obra tenha sido construída no governo de Jarbas Vasconcelos. Desde então, as intervenções nesta rodovia foram mínimas, destacando-se o acréscimo de uma terceira faixa entre a Av. Abdias de Carvalho e o viaduto que dá acesso ao Terminal Intermunicipal de Passageiros – TIP, com um comprimento de oito quilômetros.

Há pouco tem-se visto patrulhas mecanizadas trabalhando na limpeza das áreas de domínio entre São Caetano e Pesqueira, anunciada como uma obra do governo estadual. O tempo de se iniciar a obra tem tudo a ver com o calendário político, afinal, há pouco mais de um mês ocorreram as eleições para presidente da república, governadores e parlamentares.

Foi amplamente divulgado que se trata de um projeto que ligará os municípios de São Caetano a Serra Talhada, dividido em quatro trechos: São Caetano-Pesqueira; Pesqueira-Arcoverde; Arcoverde-Custódia e Custódia-Serra Talhada, e que os trechos serão contemplados inicialmente. São Caetano-Pesqueira; Custódia-Serra Talhada. Neste último, a obra de duplicação será iniciada em Serra Talhada, dirigindo-se a leste. Independentemente dos interesses políticos, é importante que se chame a atenção de que o lógico seria dar prioridade absoluta nos dois trechos iniciais, uma vez que o grande congestionamento do tráfego se dá nos 110 quilômetros que separam Arcoverde de São Caetano. Percurso tal que dificilmente alguém o trafega em menos de duas horas.

É importante chamar a atenção para este fato, já que Pernambuco tem um histórico de iniciar as obras de onde não se deve, do ponto de vista estratégico, e ver a obra se tornar desnecessária ou em estado de abandono, custando para ser recuperada o valor de uma nova rodovia ou ferrovia. O melhor exemplo deste equívoco foram as obras da ferrovia Transnordestina, que, ao se deixar de iniciar de Suape a Oeste e priorizar o trecho Salgueiro para o litoral, instalando-se um trecho de 180 quilômetros, concluído há dez anos sem que tenha tido o prazer de ser inaugurado por um único comboio.

O resultado é que a ferrovia se encontra em fase de retomada, sem que se possa prever quando e se chegará ao Porto de Suape. Retornando-se à rodovia, o que pode ser feito é que quem vença as próximas eleições tem tempo de reparar o equívoco e fazer com que as coisas sigam o curso natural da demanda, principalmente considerando que não é uma obra que possa ser concluída em um par de anos. Insistir em se iniciar pelos extremos é causar problemas de congestionamento permanente por um longo período, sem que o cerne do problema seja tocado.

Congestionamento, atraso e elevação de custos

Quem trafega na espinha dorsal do estado, sabe muito bem que a duplicação da BR 232 é fundamental para o desenvolvimento econômico do estado. O interior apresenta a cada dia uma dinâmica diferente daquela que existia e hoje Pernambuco conta com vários polos de desenvolvimento que merecem ser dinamizados com uma infraestrutura viária que atenda ao fluxo crescente de veículos compridos e pesados. Foi mencionado nesta coluna que os estados vizinhos têm investido em suas malhas viárias, incluindo a duplicação de várias de suas rodovias estaduais, com Pernambuco correndo o risco de passar a ser usuário das rodovias duplicadas de Alagoas e da Paraíba.

Considerando-se que o calendário das obras e a prioridade para os trechos mais à leste sejam definidos e, independentemente do resultado das eleições, o estado deve se debruçar em resolver o imbróglio criado pelo governo federal em 22 de dezembro de 2022, quando, troando uma decisão sem pé e cabeça, comprometeu o valor estratégico do Porto de Suape como um hub intermodal de tráfego marítimo que o conectava ao interior do estado e à área agrícola do cerrado brasileiro.

Qualquer traçado é bem vindo

Com a perspectiva de ver a obra avançar, abre-se um questionamento mais do que salutar entre alguns dos municípios diretamente envolvidos quanto ao trajeto. Se contornam ou não às cidades ou se permanecem com o plano estabelecido inicialmente, quando, na maioria dos municípios, a BR 232 passava por fora do perímetro urbano. Esta é uma questão importante, mas que não pode ser objeto de obstrução para que a estrada seja duplicada o mais rápido quanto possível. Há cidades em que a faixa de domínio da rodovia encontra-se livre ou necessitando de pequenas intervenções, enquanto outras viram a BR-232 ser ocupada, tornando-se uma avenida como qualquer via urbana.

Este é um momento em que todas as cidades pelas quais a BR 232 atravessa hoje podem resolver um trabalho que incentive a atração de novas empresas do estado e de outras unidades da federação ou do exterior. Em boa parte dos casos, as principais intervenções ocorridas em alguns municípios se deram a partir de intervenções da classe empresarial e, em menor escala, com um planejamento municipal consistente.

O CREA-PE, através de sua Comitê Técnico Permanente – CTP, tem mantida acesa a chama da discussão das obras essenciais do estado à exemplo do arco metropolitano, da duplicação da rodovia BR 232 e da conclusão da ferrovia Transnordestina. Devendo ser chamado a atenção que o estado do Ceará deu prioridade em instalar perímetros urbanos ou rodoanéis na maioria de seus municípios.

Geraldo Eugênio – Professor titular da UFRPE-UAST

Serra Talhada, PE, 02 de setembro de 2026



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