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A profecia se confirma: Lula evita Pernambuco e a eleição segue no fio da navalha


Quem acompanha a nosso blog de perto já sabe o que estamos dizendo há semanas: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve pisar em solo pernambucano neste primeiro turno. E, até agora, a “profecia” se confirma. Enquanto o presidente petista cumpre agendas no Nordeste, esteve ontem em Teresina, no Piauí, ao lado do governador Rafael Fonteles, Pernambuco continua fora do roteiro oficial de campanha. Lula gravou vídeos pedindo votos para João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes, mas a presença física, que em outros estados tem peso eleitoral real, ainda não aconteceu. E, segundo a própria campanha petista, a tendência é que não aconteça até 4 de outubro.

A razão é simples e calculada. Em Pernambuco, o apoio de Lula é disputado. João Campos (PSB) é o candidato oficial do presidente ao governo. Mas a governadora Raquel Lyra (PSD) mantém uma relação institucional de diálogo com o Planalto, recebe investimentos e evita qualquer confronto direto. Em estados assim, Lula prefere não aparecer e “escolher lado” de forma ostensiva, para não queimar pontes. O mesmo cálculo vale para o Maranhão.

Enquanto isso, a disputa local esquentou de verdade. A pesquisa Quaest mais recente (divulgada em 8 de setembro) colocou Lyra e Campos em empate técnico: 43% a 37%. A vantagem da governadora diminuiu, mas ainda é ela quem lidera. O clima, porém, está cada vez mais pesado. Acusações de “gabinete do ódio”, cartazes ofensivos envolvendo a morte do marido de Raquel e batalhas judiciais no TRE dominam a conversa. A campanha virou uma guerra de narrativas, e o eleitor assiste de camarote.

No Senado a briga também está aberta. Marília Arraes, Humberto Costa, Eduardo da Fonte e Mendonça Filho seguem na disputa pelas duas vagas, e ninguém tem certeza de quem sobra na reta final.

O que se vê, portanto, é uma eleição pernambucana que caminha sozinha. Lula, o maior cabo eleitoral do estado, prefere olhar de longe. João Campos cobra a presença. Raquel Lyra segue colhendo os dividendos da gestão e do silêncio estratégico do presidente. E o eleitor, no meio disso tudo, ainda tem 24 dias para decidir.

Se a profecia se confirmar de vez e Lula realmente não vier, o 4 de outubro em Pernambuco será resolvido sem o peso do presidente no palanque. E isso, por si só, já muda o jogo.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: a presença de Lula no palanque de João mudaria o quadro das pesquisas?

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