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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Saúde

Psicóloga dá dicas de como cuidar da saúde mental em tempos de pandemia

Educar emocionalmente, ter empatia e evitar cobranças estão entre as dicas para manter a saúde mental em todos os contextos, sejam eles sociais, privado, profissional, familiar e escolar.  

Postado em 08/09/2021 2021 17:00 , Saúde. Atualizado em 08/09/2021 16:27

Jornalista , Editor Antônio José em Saúde

 

“A gente vive essa cultura de ter que ser forte a qualquer custo, de ter que olhar para frente sempre independente dos custos emocionais que isso traz para cada um”, alerta Sâmia Lemos / Credito_USP_Pixabay.jpeg

Manter a saúde mental em tempos de pandemia tornou-se um grande desafio para todo mundo, no contexto social, privado, profissional, familiar e escolar. Porém, mais do que apenas apontar dificuldades vivenciadas, é importante também apresentar soluções para as situações que se apresentam.

Por isso, o Jornal do Sertão conversou com Sâmia Lemos, psicóloga social, mestra em Ciências da Saúde, especialista em Saúde da Família e em Psicologia Clínica com foco em Análise Bioenergética. Atualmente atende em clínica e trabalha no Espaço Viver Bem da Unimed em Petrolina. A profissional fez um diagnóstico do momento em que estamos vivenciando e deu dicas valiosas para zelar a saúde mental em meio a essa problemática mundial.

Luto da vida antes da pandemia 

A psicóloga Sâmia Lemos explicou que um dos principais impactos causados pelo distanciamento social, forçado pela situação pandêmica, foi o luto da vida que se tinha. Todos, de alguma forma, perderam o convívio. No ambiente escolar especificamente houve o afastamento dos amigos, a interrupção das trocas, diálogos, da afetividade e o crescimento de um medo específico: o da morte.    

“Tem um medo muito grande da morte da própria morte e de perder pessoas próximas, que fazem parte do convívio. Então, por si só, já lidar com isso é muito. Causa sofrimento, ansiedade, estresse, pode ser fator de um adoecimento psíquico e emocional. Aí somado a isso, você terá que assumir uma nova forma de trabalhar”, avaliou. 

Segundo a psicóloga, muitos professores relatam, por exemplo, o medo de não aprender a lidar com as novas plataformas digitais de ensino, sem falar que muitos também não tinham os recursos necessários dentro de casa e nem todas as escolas nem todos os professores tiveram disponíveis tais ferramentas. 

“Falar diante de uma máquina, muitos alunos não abrem as câmeras, então alguns se sentem sozinhos, se sentem com dificuldade de se relacionar, de compartilhar, do professor, do medo de errar, falhar nessa função e também o medo da exposição”.

Volta às aulas na pandemia

Agora que as aulas presenciais estão voltando, ainda com o medo da covid-19, o JS questionou a psicóloga se existem estratégias para proteger a saúde mental de alunos e professores. Segundo Sâmia Lemos, esse é um momento delicado.

“Tem muitos pais que têm medo do retorno, mas os filhos podem estar expostos mais fora da escola do que dentro da escola. De voltar ou não voltar agora, isso está dentro do domínio também de cada família porque  cada uma vivenciou essa pandemia de uma maneira. Há famílias que perderam pessoas, ainda estão em processo de elaboração mesmo do luto e esse tempo a gente não tem como definir. Os professores também precisam de um suporte, eles precisam se sentir seguros, então os protocolos são fundamentais e precisam estar vacinados.  Então, assegurando isso você diminui as ansiedades e o medo nesse retorno”, justificou Sâmia.

“A gente vive essa cultura de ter que ser forte a qualquer custo, de ter que olhar para frente sempre independente dos custos emocionais que isso traz para cada um”, alerta Sâmia Lemos

Estratégias coletivas de proteção mental

Para a psicóloga, um caminho para manter a saúde mental é criar estratégias conjuntas para proteção da saúde mental. “Enquanto comunidade, coletivos, as instituições, a gente precisa desenvolver estratégias conjuntas para proteção da saúde mental, para prevenção e promoção da saúde. O que significa dar espaço em todas as esferas. É ofertar ambientes seguros também emocionais, ou seja, onde a gente possa expor as nossas fragilidades sem que isso seja visto como fraqueza”, pontua Sâmia.

Em sua avaliação, o fato de a sociedade ainda viver dentro de uma cultura de não poder expressar o que está sentindo e,  isso já vem antes da pandemia, sobrecarregou. “A gente vive essa cultura de ter que ser forte a qualquer custo, de ter que olhar para frente sempre independente dos custos emocionais que isso traz para cada um. Então, a saúde mental foi negligenciada por muito tempo e agora a gente vive também a pandemia e também de doenças psíquicas e emocionais”.


 


Educar emocionalmente 

Sâmia acredita que os problemas de saúde mental são a nova pandemia agravada pela pandemia da Covid-19. Por isso, educar emocionalmente, compreender fragilidades, ter empatia e evitar a auto cobrança é um caminho para manter a saúde mental.

“A maior parte da população está sofrendo de ansiedade, de medo. Pelo aumento das vulnerabilidades, das fragilidades sociais e das condições de vida. Então, a gente precisa compreender a fragilidade humana, o medo da morte, a nossa sensibilidade. A educação pode ser assim uma forte aliada no sentido de educar emocionalmente. Então, a tolerância e a frustração estão mais baixas por parte de todo mundo. A gente tem que ter muita empatia nesse momento com as realidades de cada um para gente poder compreender as escolhas individuais e coletivas”, orientou a psicóloga.

 

JS DIGITAL / JORNALISTA CAROL SOUZA 

EDITORA LUCIANA LEÃO