A Anvisa aprovou nesta quarta-feira (4) o Wegovy em comprimido, da Novo Nordisk, para tratamento de obesidade e sobrepeso com comorbidade em adultos. É a primeira versão oral de uma “caneta emagrecedora” liberada no Brasil para perda de peso. A empresa prevê a venda no primeiro semestre de 2027, depois que a CMED definir o preço máximo.
Quem convive com obesidade no Brasil ganha uma alternativa às injeções: a Anvisa aprovou, nesta quarta-feira (4), o Wegovy em comprimido, versão oral da semaglutida que deve chegar às farmácias no primeiro semestre de 2027.
O que foi aprovado
O comprimido tem o mesmo princípio ativo da caneta injetável e foi liberado para o mesmo objetivo, em conjunto com dieta hipocalórica e aumento da atividade física. A diferença é o público: a versão injetável vale a partir dos 12 anos, e o comprimido foi aprovado apenas para adultos.
A injetável já era indicada para pessoas com obesidade (IMC igual ou maior que 30) ou com sobrepeso (IMC de 27 a menos de 30) e uma comorbidade associada ao peso.
Em nota, a Anvisa afirma que a nova apresentação oferece “mais flexibilidade terapêutica aos pacientes e profissionais de saúde”, incluindo a possibilidade de transição entre as formulações oral e injetável, quando clinicamente apropriado e conforme a bula.
Como será o uso
- Uma vez ao dia, pela manhã
- Em jejum, com pequena quantidade de água
- Esperar pelo menos 30 minutos para comer, beber ou tomar outros remédios
- Aumento gradual da dose: 1,5 mg, 4 mg, 9 mg, até a dose de manutenção de 25 mg por dia
O que mostram os estudos
A aprovação se baseou no estudo de fase 3 OASIS 4, com adultos com obesidade ou sobrepeso e comorbidades.
- Após 64 semanas, a perda média de peso foi de 13,6%.
- Em uma análise posterior, que considera um cenário em que todos os pacientes permanecem em tratamento, a perda estimada chega a cerca de 17%.
- Nos testes, 1 em cada 3 voluntários perdeu 20% ou mais do peso.
- Segundo a Anvisa, houve melhora em marcadores de saúde cardiometabólica.
Como referência, o Wegovy injetável levou a perda de aproximadamente 17,4% em 68 semanas no estudo STEP-4.
Preço e disponibilidade
Ainda não há estimativa de custo no Brasil. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa fixar o preço máximo antes da venda nas drogarias. Nos Estados Unidos, onde o comprimido foi lançado em janeiro, o tratamento mensal com a dose de 25 mg custa cerca de 299 dólares (aproximadamente R$ 1,6 mil), e mais de 7 milhões de prescrições já foram dispensadas.
O que diz a fabricante
“Para as pessoas que vivem com obesidade ou sobrepeso no Brasil, a aprovação representa uma escolha real”, afirmou Priscilla Mattar, vice-presidente Médica da Novo no Brasil, em nota. Segundo ela, “pela primeira vez na história, um comprimido alcança a potência de um medicamento injetável de alta eficácia no tratamento de excesso de peso” (declaração da empresa).
Concorrência a caminho
A orforgliprona (vendida nos Estados Unidos como Foundayo), da Eli Lilly, a mesma fabricante do Mounjaro (tirzepatida), também é um oral da classe dos análogos de GLP-1 e ainda está em análise na Anvisa.








