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Pernambuco, 18 de junho de 2026

Cidades

Primeiro dia de Quarentena no Sertão tem protestos e resistência à ordem de fechar comércio 

Em Petrolina houve carreata para protestar contra o fechamento de atividades consideradas não essenciais. Empresários do município sertanejo divulgaram nas redes sociais que vão manter as portas abertas. Entidades que representam o comércio varejista defendem obediência ao decreto, mas afirmam que o fechamento do comércio não é o melhor caminho para o enfrentamento da crise sanitária.  

Postado em 18/03/2021 14:30

Colunista
Jornalista ,

 

Primeiro dia de quarentena foi tenso no centro de Petrolina. Foto redes Sociais

Nesta quinta-feira, 18 de março, no Sertão pernambucano, o primeiro dia de vigor do decreto do Governo de Pernambuco, que determinou quarentena para todos os estabelecimentos e serviços enquadrados como não essenciais, foi marcado por protestos. No Centro da cidade, houve uma carreata para protestar contra as medidas impostas pelo Governo Estadual.

Em algumas lojas que tentaram permanecer abertas nesta quinta-feira, houve até intervenção das equipes de fiscalização nas ruas do município. Além disso, circularam nas redes sociais diversos vídeos e declarações de empresários da região informando que vão tentar manter as lojas abertas durante a quarentena.

 

Comerciante faz apelo em bilhete para que a população não denuncie os comércios que abrirem as portas. Foto Rede Sociais

Empresários dizem que vão manter comércios abertos durante quarentena no Sertão

Em um dos vídeos, um empresário de Petrolina argumenta que, nessa altura da crise econômica agravada pela pandemia, sem apoio econômico, não é possível determinar que tipo de comércio é ou não essencial. “Fomos pegos de surpresa por mais um decreto que nos obriga a fechar. Tem momentos na vida que a gente precisa ter coragem, a gente precisa enfrentar o problema. Os empresários de Petrolina se uniram em prol da gente, realmente, sobreviver. (…) Nessa situação econômica que o país está a gente não pode julgar o que é atividade essencial e o que não é atividade essencial. A gente precisa respeitar o momento de cada um”, frisou o empresário identificado como Diogo Lima.

 

Comerciantes prejudicados pela crise pedem mais sensibilidade dos governantes

Ramon Sá gerencia uma loja de roupas e acessórios para noivas e emprega 10 pessoas. Foto Arquivo Pessoal

O Jornal do Sertão conversou com o empresário Ramon Sá Pereira de Souza. Ele gerencia uma loja de roupas e acessórios para noivas em Petrolina e contou como as medidas restritivas atingiram o estabelecimento. “As restrições impossibilitam a manutenção das atividades. Como trabalhamos a longo prazo, nossas noivas não têm a possibilidade de planejar, mesmo com as festas e eventos proibidos pelo decreto, elas sonham com a liberação e querem continuar planejando. Como não temos nenhum incentivo federal, como a Medida Provisória do ano passado, também não conseguimos ter fluxo de caixa para pagar os funcionários, aluguel e outras despesas”, lamentou Ramon destacando que hoje dez funcionários estão contratados pela loja.

Para Ramon Sá, a solução para essa crise depende de muitas esferas, mas, principalmente, da consciência da população. “O distanciamento social no comércio é o que temos mais controle. Há muito tempo não existe aglomeração dentro das lojas. Porém, a fiscalização precisa ser mantida nas festividades clandestinas aos fins de semana. O comércio está sendo prejudicado por situações que não competem a ele. A disseminação maior do vírus ocorre nesses espaços de lazer, que é onde ninguém cumpre nenhuma medida”, opinou.



CDL e Sindilojas emitem nota sobre desobediência do decreto em Petrolina

Em nota conjunta, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrolina e o Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) esclareceram que, apesar de respeitar essas manifestações, “entendem e apoiam todas as medidas que sejam cabíveis e urgentes no enfrentamento a pandemia, ao tempo em que  repudiam que as consequências e as medidas restritivas decorrente de aglomerações irresponsáveis e das exceções que descumpriram os protocolos de saúde pública, pelas quais levaram às recentes decisões de lockdown; recaiam sobre aqueles que de maneira responsável, tem contribuído para o desenvolvimento social e econômico da nossa cidade”.

A nota pontua que o comércio do município, há cerca de um ano, tem cumprido com as orientações determinadas pelas autoridades sanitárias. No entanto, a categoria entende que “o fechamento do comércio abruptamente sem critérios claros e pré-determinados não é o melhor caminho para o enfrentamento da crise sanitária no atual cenário, uma vez que junto a ela reside um problema social. A medida só contribuirá para o agravamento da crise econômica do país e consequentemente para o aumento do desemprego. Esse argumento, inclusive, faz parte de ofício encaminhado para autoridades das esferas municipal e estadual, oficialmente, no início deste mês, através do Comitê Petrolina no Combate ao Coronavírus, que reúne instituições e entidades representativas dos setores produtivos locais”, destacam as entidades, pontuando que a melhor solução é o diálogo.