
Economista alerta que crise econômica está longe do fim
O cenário não é nada promissor para o Sertão segundo a economista Socorro Macedo, coordenadora da Facape, no sertão pernambucano
Postado em 28/04/2022 07:00
A alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial, divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (27) deixa ainda mais preocupante o cenário da economia sertaneja.
A análise é da economista Socorro Macedo, coordenadora do curso de Economia da FACAPE, em Petrolina. O IPCA-15 ficou em 1,73% em abril deste ano, resultado bem acima das taxas de março (0,95%) e de abril de 2021 (0,60%).
A especialista expôs ao JS que, pelo menos nos próximos dois anos, a situação deve continuar crítica.“Existe uma projeção do Banco Mundial afirmando que essa situação vai continuar pelos próximos dois anos e, com ela , a crise econômica”, assegurou.
Combustíveis
Socorro Macedo comentou que os registros da alta do IPCA-15 atingem em cheio o Sertão, que tem no agronegócio, uma de suas principais atividades. “Aqui tem produção de bens e serviços, mas dentro desse setor tudo precisa ser transportado, através do modal rodoviário, ou seja, todo o setor ficou mais caro, complicando a situação já difícil do sertanejo”, ponderou a especialista.
Lembrando ainda que o combustível, registrou alta de 7,54%, devido ao aumento nos preços da gasolina (7,51%), óleo diesel (13,11%), etanol (6,60%) e gás veicular (2,28%).
Portanto, essa elevação da inflação repercute diretamente no custo dos produtos, um valor grande que deve ser considerado, segundo a economista. “Esse índice é o mais alto desde 1995, são muitos anos que não temos um mês com um IPCA tão alto” pontuou a economista.
Alimentação
Com relação à alimentação, Socorro Macedo afirmou que o mundo vivencia uma desorganização da cadeia global de produção, de forma que a inflação está atingindo produtos essenciais, como a alimentação, em especial os grãos que vem de fora: milho, trigo, soja contribuindo para a elevação dos alimentos sertão a fora.
“São muitos os agravantes que impõem a inflação e podemos citar a guerra da Rússia X Ucrânia como um deles, além do modal rodoviário já citado”, lembrou.
Outros exemplos dados que prejudicam a economia sertaneja são as altas dos insumos que precisam ser trazidos de fora para o sertão, a desvalorização do real em relação ao dólar também preocupa os economistas.

Nesse momento de alta geral, a exportação também sofre com prejuízo, isso porque o Brasil compra os insumos mais caros, e exportar o produto mais barato se comparada a vendas anteriores. “O que tornam nosso produto menos competitivo e em consequência gera menos dinheiro para a região”, explicou.
Sobre a exportação a economista orienta o sertanejo que ele pesquise bastante em busca de produtos com menor preço no mercado de uma forma que os custos não sejam maiores que a demanda. “O aumento da inflação dificulta a vida do sertanejo, mas não inviabiliza”, finalizou.