
Quando vale a pena financiar um imóvel ou veículo?
Confira dicas para decidir se assumir uma dívida de longo prazo é uma boa ideia e o que fazer caso algo saia dos trilhos
Postado em 11/11/2025 23:09
Comprar um carro ou um imóvel é um dos maiores compromissos financeiros que uma pessoa pode assumir. Para a maioria, o financiamento é a alternativa mais viável do que comprar com pagamento à vista, mas nem sempre é a decisão mais vantajosa. Atualmente, a economia brasileira opera com uma taxa de juros elevada, com a Selic a 15% ao ano. Como consequência, os juros para financiamentos costumam ser ainda mais altos, para permitir que os bancos e instituições financeiras realizem operações com lucros e garantias.
Para Camila Poltronieri Flaquer, Head de Cobrança Digital (B2C) da Recovery, empresa do Grupo Itaú e líder na compra e gestão de créditos inadimplentes no Brasil, avaliar bem quando vale a pena recorrer a esse tipo de crédito é fundamental para não comprometer o orçamento e evitar endividamento excessivo.
“Para o consumidor, é essencial realizar uma pesquisa ampla para entender onde encontrar as melhores condições de contratação para cada caso em particular, calculando tanto o custo das parcelas quanto o valor total do financiamento, incluindo juros, taxas e impostos”, diz a especialista. “É importante lembrar que existem outras formas de compra, como o consórcio. Se for possível realizar a compra no longo prazo, pode ser interessante guardar os valores – que poderiam ir para parcelas – com o objetivo de dar uma entrada maior na compra, diminuindo o valor ou volume de parcelas do financiamento, ou mesmo realizar a compra à vista”
Quando um financiamento faz sentido
Um financiamento é indicado quando se trata da aquisição de um bem que é essencial: você precisa do carro para trabalhar ou da casa própria para moradia. Mas, acima de tudo, você precisa avaliar sua estabilidade financeira: a renda mensal é suficiente para pagar as parcelas, sem comprometer gastos essenciais?
Uma dica de ouro é fazer um planejamento de longo prazo. Imóveis geralmente envolvem prazos longos de financiamento (15 a 35 anos), enquanto carros têm prazos mais curtos (3 a 5 anos). É preciso avaliar se você conseguirá manter as parcelas ao longo de todo o período.
Em linhas gerais, um financiamento pode ser uma boa opção quando as taxas de juros são atrativas, após uma comparação minuciosa entre ofertas entre bancos e financeiras. Taxas elevadas podem transformar o financiamento em um peso para o orçamento.
Antes de assumir um financiamento de um imóvel ou de um veículo, há aspectos importantes a considerar:
Imóveis
Uma opção interessante para quem deseja financiar imóvel é recorrer ao programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que utiliza recursos do Fundo Social que possibilitam ter acesso a juros abaixo da taxa Selic, além de oferecer condições, como valores de entrada mais suaves. O programa opera de acordo com diferentes faixas de renda familiar mensal, sendo a menor de R$ 2.850 e a maior, que passou a ser viabilizada recentemente, para renda mensal familiar de até R$ 12 mil.
Veículos
Segundo a última pesquisa sobre taxas de financiamento do Banco Central, a taxa média de juros no crédito para aquisição de veículos ficou em 28,6% em março, contra 25,4% no mesmo período do ano passado. No entanto, além da pesquisa por instituições com melhores condições de compra, há outras possibilidades para suavizar o impacto dos juros. Os microempreendedores (MEIs), por exemplo, têm acesso a linhas mais competitivas, com taxas menores e redução de IOF quando o veículo é usado para trabalho. Pessoas com deficiência (PcD) continuam contando com isenções de impostos como IPI, ICMS e IOF, além de condições especiais em bancos e montadoras. Já idosos e aposentados, que costumam recorrer ao crédito consignado, costumam ter juros menores e prazos ampliados, embora limitados pela idade ao fim do contrato.
Quando um financiamento não é uma boa opção
O que acontece se você ficar desempregado
Se por algum motivo, você perder a sua fonte de renda e não conseguir mais pagar as parcelas do financiamento, é possível que tenha que encarar consequências sérias:
“Financiar um carro ou um imóvel pode ser uma boa alternativa para quem tem urgência na aquisição do bem e está certo de possuir disciplina financeira. Nunca é demais lembrar que, tão importante quanto ter o bem rapidamente é não gerar despesas pesadas demais, correndo o risco de cair no ciclo de endividamentos e juros”, conclui Camila, da Recovery.