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A guerra do Senado em PE: quando as vagas valem mais que o próprio Palácio


Enquanto a opinião pública consome a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas como se fosse um duelo individual entre Raquel Lyra e João Campos, quem conhece os corredores do poder sabe: o jogo pesado, o cálculo frio e as facadas nas costas acontecem na briga pelas duas vagas do Senado. Senado não é apenas sobre mandato de oito anos em Brasília. É a moeda de troca definitiva para segurar aliado ganancioso, garantir tempo de rádio e TV e evitar rebelião de cacique partidário na reta final. E, em Pernambuco, a conta para fechar essas duas vagas simplesmente não fecha para nenhum dos dois lados.

Na oposição, o excesso de passageiros para pouca cadeira

No palanque comandado pelo PSB, o presidente Lula continua sendo a muleta na qual todo mundo quer se apoiar. As especulações sobre ainda haver possíveis mudanças estão presentes o tempo todo. A vaga de Humberto Costa (PT) à reeleição é tratada nos bastidores como um dado de realidade que ninguém tem coragem de questionar abertamente sob pena de perder o carimbo petista. O verdadeiro incômodo é a segunda vaga. Com Marília Arraes no circuito exigindo espaço pelo peso dos seus votos passados e outros caciques da base pressionando por protagonismo, a Frente Popular corre o risco de deixar insatisfeitos com poder de fogo suficiente para abrir dissidências. O PSB sabe que rifar aliados históricos em nome de acomodações de última hora cobra um preço alto nas urnas.

Na base governista, o teste de fogo de Raquel

No lado do governo, Raquel Lyra enfrenta a prova de fogo da sua capacidade de articulação política. Governar com discurso de mudança é uma coisa; montar uma chapa majoritária competitiva entregando espaços reais a legendas da sua base é outra completamente diferente. Nomes do PSD, como Fernando Dueire, buscam a consolidação do espaço, enquanto o PP de Eduardo da Fonte joga com o peso da sua bancada de deputados e prefeitos no interior para exigir uma fatia do bolo. Para a governadora, a margem de erro é zero: se errar na dose do aceno a um partido, pode ver uma tropa inteira migrar para o palanque adversário antes mesmo de as convenções terminarem. Aliás, convenção do PSD que acontece no próximos domingo é onde todas as expectativas estão depositadas.

O preço da hesitação

Eleição para o Senado é jogo de tiro único. Não tem segundo turno para ajustar rota, pedir desculpas ou perdoar traição. Quem tentar enrolar os aliados com promessas vagas até a véspera do prazo final vai descobrir da pior maneira que, na política pernambucana, cavalo selado não passa duas vezes e traição de bastidor se paga nas urnas.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Quem você acha que vai preencher as duas vagas do Senado na base governista? E a base da oposição, ainda comporta mudanças.

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