
A ebulição da campanha pernambucana entre o ruído e o tempo
Adriano Roberto analisa o andamento da pré-campanha e prevê uma queda no nível do confronto entre João e Raquel
Postado em 10/06/2026 10:02

A entrevista da governadora à CNN nesta terça – 09, serviu como um termômetro interessante para o atual momento político. Enquanto o PSB, através do deputado estadual e presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes, intensifica as críticas – tentando rotular a governadora como “indecisa” ou “pendular”, ora flertando com o apoio a Lula, ora mantendo distanciamento -, o que se observa na verdade é um jogo de paciência que incomoda a oposição.
A estratégia da governadora parece clara: quem tem tempo, não tem pressa. A tática da oposição: a bancada do PSB aposta no desgaste pela crítica constante. Ao “malhar” a governadora, tentam forçar um posicionamento precoce, esperando que ela cometa um erro de cálculo sob pressão. Já a resposta governamental, que foi o silêncio ou a postura de “indefinição” funciona como uma blindagem. Enquanto o debate político se arrasta em suposições, a gestão ganha fôlego para trabalhar.
As falas recentes de Sileno Guedes mostram a urgência do PSB em tentar pautar a governadora. No entanto, essa insistência constante pode acabar, involuntariamente, confirmando que a governadora é o centro do tabuleiro eleitoral. O interesse do presidente estadual do PSB na “indefinição” da governadora apenas prova que ela se tornou a figura a ser batida – e observada – em 2026. Se puxarmos da memória a campanha de João contra a prima em 2020 vamos lembrar o quanto o PSB tem talento para baixar nivel de uma disputa e partir para um confronto de ofensa pessoal como fez contra Marília Arraes naquele ano.
Há um ditado político, ele diz que na campanha “político de mandato que esta na frente só apanha porque está no caminho certo”. Quanto mais o PSB e Sileno Guedes investem em ataques e tentam colar na governadora a pecha de indecisão, mais a consolidam no centro do debate. Se ela mantiver o foco na administração e transformar a “falta de pressa” em entregas concretas, o desgaste de hoje se converterá em capital político amanhã. O eleitor, no final das contas, tende a ser muito mais sensível ao que vê na prática do que ao ruído da disputa ideológica cotidiana.
No fim das contas, a dúvida que o PSB tanto quer espalhar pode ser apenas a forma que a governadora encontrou de observar o campo antes de dar o próximo passo. E, pelo histórico, quem se apressa no xadrez político pernambucano, geralmente, é quem acaba perdendo o jogo.
Será que vamos ter a mesma baixaria que vimos em 2020 agora para eleição de governo estadual?