
O “Vídeo de Lula”: O Xeque-Mate que pode implodir alianças em Pernambuco
Adriano Roberto fala de repercussão de um possível vídeo de Lula, agora, com apoio exclusivo ao palanque de João Campos em Pernambuco
Postado em 11/06/2026 08:09

Se os bastidores de Brasília se confirmarem e o presidente Lula decidir, de fato, gravar agora, em vídeo, uma mensagem de apoio a João Campos (PSB), não estaremos apenas diante de um gesto de cortesia política. Estaremos diante de um movimento tectônico que redefine – e pode atropelar – as trajetórias de quem escolheu “nadar contra a corrente” da frente petista em Pernambuco. As informações sobre o tal vídeo na mídia não revelam a fonte, porém não faltam atores do PSB que poderiam ter passado adiante uma informação dessa mesmo sem a confirmação do próprio Lula. Mas quais seriam as consequências se isso realmente acontecer agora?
A filiação de Túlio Gadêlha ao PSD de Raquel Lyra, com o objetivo de buscar uma vaga ao Senado, foi uma jogada que muitos leram como audaciosa. No entanto, o “efeito vídeo” de Lula transformaria essa estratégia em um campo minado. Ao se alinhar formalmente à governadora, Gadêlha – que sempre buscou manter uma marca de esquerda autêntica e “lulista” – coloca sua própria base eleitoral em xeque. Como um quadro histórico do campo progressista justificará o voto em um palanque que, pelas mãos de Lula, for carimbado como “o oposto” do projeto do presidente? A verdade é que, se Lula gravar para João, Túlio estará, na prática, politicamente “exilado” do seu berço ideológico. Seus dias de trânsito livre na esquerda podem estar, sim, contados.
A governadora Raquel Lyra tem tentado vender a ideia de que “Pernambuco não tem dono” e que seu governo é de gestão, não de partidarismo. Mas o vídeo de Lula, se vier, retira o verniz dessa neutralidade. Ele força a governadora a decidir: Ou ela endurece o tom e compra a briga nacional, o que pode alienar setores que aprovam o governo federal; ou ela assiste, calada, à sua base ser fragmentada por um cabo eleitoral que, embora seja seu parceiro de governo em Brasília, quer vê-la derrotada em 2026.
Minha leitura é que, ao se aproximar de Raquel, Túlio Gadêlha tentou antecipar um cenário de “novo ciclo” na política pernambucana. Porém, na política, o tempo é o senhor da razão. O vídeo de Lula, caso se materialize, funcionará como um purificador de quadros: separará quem realmente é leal ao projeto do Planalto daqueles que priorizaram conveniências regionais em nome de uma vaga no Senado.
Para Túlio, a conta pode chegar mais cedo do que ele imagina. O “novo caminho” pode ser, na verdade, um beco sem saída eleitoral. Se ele perde o apoio do eleitor que vê em Lula a sua única referência, o que sobra? Restará a ele apenas o esforço de uma campanha que, sem o aval do líder maior, terá que nadar dobrado para provar que é, de fato, alternativa.
Será que Lula grava mesmo o video de apoio a João Campos agora ou é só uma informação plantada, uma cobrança velada do PSB para o presidente?