Às vésperas das provas do Enem 2026, marcadas para 8 e 15 de novembro, muitos estudantes memorizam citações na esperança de garantir bons argumentos na redação. Segundo o professor Will Rodrigues, especialista em Produção de Texto, o problema está em aplicar referências genéricas, sem relação com o tema. Ele explica como transformar conhecimentos em argumentos e como organizar a revisão na reta final.
Decorar citações de pensadores e mencionar obras conhecidas não garante uma boa redação no Enem. Para a banca, o que conta é o estudante explicar como cada referência ajuda a esclarecer o problema proposto.
O risco do repertório decorado
Na reta final, memorizar frases e obras pode parecer a saída mais rápida. O professor Will Rodrigues, do Colégio Marista São Luís, no Recife, chama de “repertório de bolso” as referências decoradas e aplicadas de forma genérica, sem conexão com a discussão. O problema não é o conhecimento em si, mas a fórmula pronta que não se encaixa no raciocínio do texto.
Referência só vale se explicar o problema
Citar a Constituição Federal em um texto sobre acesso à saúde, por exemplo, não sustenta uma tese por si só. Segundo o professor, é preciso relacionar os direitos previstos na legislação ao problema discutido e mostrar como essa conexão contribui para a análise. O mesmo vale para referências históricas, filosóficas, literárias ou culturais, que ganham força quando são contextualizadas.
Um método em três etapas
Para aplicar essa orientação, o estudante pode seguir três passos: definir o argumento que deseja defender, selecionar uma referência que o fundamente e explicar a relação entre os dois. Antes de usar uma citação, vale perguntar se ela realmente esclarece o problema ou fortalece a tese. Se a conexão não estiver clara, é melhor trocar a referência.
O que a banca avalia
A redação do Enem é avaliada em cinco competências, cada uma com pontuação de até 200 pontos. Os critérios incluem o domínio da escrita formal, a compreensão da proposta, a organização da argumentação e a elaboração de uma proposta de intervenção. Por isso, o repertório sociocultural precisa estar integrado ao desenvolvimento das ideias, sem substituir a análise do candidato.
Como organizar a revisão
O professor recomenda estudar eixos temáticos como tecnologia, segurança, saúde, religião, meio ambiente, educação, acessibilidade e cidadania. Esses eixos servem para ampliar o conhecimento sobre questões sociais, e não para prever o tema da prova. Temas como a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e os desafios ambientais podem servir de ponto de partida para treinar a construção de argumentos.
Na reta final, também vale consultar a Cartilha de Redação do Enem, revisar os critérios de avaliação, analisar propostas de edições anteriores e ler redações nota 1000 com os comentários da banca. A leitura crítica dos próprios textos ajuda a perceber se as referências realmente contribuem para a discussão.
Em resumo, mais do que memorizar citações, o candidato precisa interpretar o tema, selecionar conhecimentos pertinentes e explicar como eles sustentam seu ponto de vista.








