
Cluster Turístico: A União Faz a Força por Marília Paes
Em sua coluna de hoje, Marília fala sobre Cluster Turístico e diz que a união faz a força e deve ser o caminho para fortalecer as destinações turísticas.
Postado em 12/03/2021 12:03

Marília Paes Turismóloga Especialista em Planejamento e Gestão do Turismo
Parece uma afirmação bem clichê, não é mesmo? E talvez até seja. Contudo, na área de turismo, ela nunca foi tão importante ou tão verdadeira. Quando se trata de destinações turísticas, a soma dos esforços, das potencialidades, das estruturas faz, realmente, uma diferença gritante na oferta de produtos e serviços. Afinal, é bem difícil que todos os municípios estejam, sozinhos, munidos de todas as potencialidade, ferramentas e estruturas necessárias para receber o turista. Então, somar esforços seria uma grande estratégia.
Mas, será que nossos municípios tem esse interesse? Ou será que costumam ver os municípios vizinhos como meros concorrentes e querem distância de qualquer ação estratégica conjunta? É, infelizmente, o que tenho visto nesses mais de 20 anos de estudos e trabalhos na área turística de destinações, é que de fato, a maioria se fecha em seu mundo, não olha para o lado, para os vizinhos como potenciais forças para somar nesse processo de atrair e conquistar turistas. A maioria se vê apenas como concorrentes e não como parceiros, o que faz com que a gestão do turismo em cada local seja muito mais difícil.

Contudo, existe em algumas regiões, uma junção de forças, de potenciais, onde um que possui mais estrutura hoteleira, se junta ao seu vizinho que tem mais atrativos turísticos e àquele que tem uma estrutura de pessoal preparada para atender e acolher bem os visitantes. Destinações, próximas umas das outras, que estão em uma rota de passagem ou em uma área com um potencial muito grande e que juntando suas forças e ações integradas, criam o que chamamos de Cluster de Turismo.
Segundo um dos maiores pensadores do turismo, no Brasil, o professor Mário Beni, um Cluster é o “conjunto de atrativos com destacado diferencial turístico, concentrado num espaço geográfico delimitado dotado de equipamentos e serviços de qualidade, de eficiência coletiva, de coesão social e política, de articulação da cadeia produtiva e de cultura associativa, e com excelência gerencial em redes de empresas que geram vantagens estratégicas comparativas e competitivas”.
E assim, muitas localidades têm criado estratégias competitivas ao unir forças com seus vizinhos e criar um potencial muito maior de atratividade turística. Regiões que tem similaridades culturais, históricas e naturais formam esses clusters e passam a atrair turistas de forma conjunta, cada uma com suas potencialidades e cada uma aproveitando o que de melhor têm para oferecer.
Desta maneira, deixam de ser concorrentes e passam a ser parceiras, passam a dividir ações, estratégias e planos de desenvolvimento com a intenção de, de forma integrada, conseguirem atrair mais turistas e que alavanquem ainda mais a região, economicamente e socialmente falando.
E assim, temos visto surgirem diversos produtos turísticos no país, como algumas rotas turísticas, pólos de atração ou zonas que são criadas a partir da junção de atrativos semelhantes ou fatos históricos e culturais que ao serem comercializados de maneira integrada, tem um potencial de atratividade muito maior.
Sendo assim, convido vocês a analisarem os potenciais dos seus municípios e dos municípios vizinhos. Será que eles formariam um produto que poderia ser vendido de forma integrada? Será que ao visitar a região, o turista não teria uma experiência melhor, se as ações estivessem sendo pensadas de forma conjunta, proporcionando ao mesmo uma visita mais completa?
Quem é Marília Paes: Mestre em Geografia Urbana (UFPE), Especialista em Planejamento e Gestão do Turismo (UPE/FCAP), Bacharel emTurismo (UFPE). Turismóloga (UFPE), mestre (UFPE) e doutoranda (UFRN) em Turismo, idealizadora da Qualiconsulte onde atua como consultora de hospitalidade e qualidade em serviços.