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A Guerra dos Palanques: o “Oba-Oba” das convenções e as feridas abertas de 2026

O final de semana de convenções partidárias em Pernambuco entregou tudo o que se esperava de um início oficial de disputa: demonstrações de força, discursos afinados para as redes sociais e, nos bastidores, o estalo inconfundível de esqueletos sendo trancados no armário. A comparação entre os eventos do ex-prefeito João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD) escancarou dois cenários políticos completamente distintos. Não apenas pelo formato e dimensão das festas, mas, principalmente, pela gestão dos ruídos internos que precederam a formação de cada chapa.

O Contraste do Oba-Oba: Espetáculo x Tensão Urbana

A convenção da Frente Popular apostou na receita consagrada dos eventos social-democratas: um espetáculo de massa perfeitamente coreografado, em ambiente fechado, com iluminação cênica, torcida organizada e claque sincronizada. O PSB entregou a imagem de um bloco coeso, sem sobressaltos e com o tom de favoritismo cravado do início ao fim.

Já a governadora Raquel Lyra escolheu as ruas do Recife Antigo para dialogar com seu eleitorado. O espetáculo estava digno de um verdadeiro “Carnaval Fora de Época”. Se por um lado a estratégia garantiu corpo a corpo e apelo popular nas fotos, por outro deixou transparente a tensão de bastidor vivida até a madrugada anterior. A articulação do palanque palaciano cobrou um preço alto demais de aliados históricos.

A Rifagem do Palanque Palaciano

O verdadeiro drama do final de semana desenrolou-se na montagem da chapa do Senado de Raquel Lyra. Para acomodar novas federações e caciques políticos no arranjo do segundo tempo, duas peças de peso no tabuleiro estadual foram rifadas da disputa majoritária:

Miguel Coelho (Petrolina): Após intensa queda de braço com alas do PP e do União Brasil, o ex-prefeito de Petrolina viu sua postulação ao Senado inviabilizada de última hora nas negociações de gabinete. Assessores do entorno de Raquel reputam a responsabilidade na Federação que escolheu Dudu da Fonte para a vaga.

Fernando Dueire (PSD): Atual senador da República e único nome do PSD pernambucano na Casa Alta, Dueire era visto como a carta de estabilidade. Foi rifado para abrir espaço às exigências de alianças estaduais. Neste caso falou mais alto a pluralidade necessária para se aproximar mais do eleitor do presidente Lula.

A Reação dos Preteridos

As reações às rifagens não deixaram dúvidas sobre a ferida aberta, profunda ou não, no grupo situacionista.

Dueire – Publicou nota oficial de agradecimento a Jarbas Vasconcelos e a mais de 100 prefeitos. Não citou o nome de Raquel Lyra em nenhum trecho da nota, desejando apenas “sorte” aos candidatos da chapa.

Miguel – Gravou vídeo institucional mantendo o apoio à governadora, mas a resposta de bastidor foi dura: ordenou que os ônibus com militantes que vinham do Sertão de Petrolina dessem meia-volta na estrada e não chegassem ao evento

O Rescaldo das Convenções

O oba-oba festivo do fim de semana acabou, mas a fatura da pré-campanha acabou de chegar. Enquanto João Campos inicia a caminhada exibindo uma casa arrumada e sem arestas aparentes, Raquel Lyra terá a dura missão de estancar a sangria diplomática com o Sertão do São Francisco e com as bases municipalistas ligadas a Dueire. 

Mas o fato é que a festa enorme deste domingo deixou a governadora bem confiante que se a caminhada até o dia 4 de outubro vai ser dura, pelo menos ela conta com uma grande militância ao seu lado para trilhar este caminho.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Raquel vai conseguir usar de seu carisma e do seu poder de convencimento para aparar as arestas deixadas com os Coelhos e Dueire?

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