Os números divulgados pela Fecomércio-PE confirmam uma tendência que já não é mais novidade, mas que segue batendo recordes: o Pix se tornou o meio de pagamento dominante na economia pernambucana. No primeiro semestre de 2026, os residentes do estado movimentaram R$ 415,7 bilhões através da ferramenta, distribuídos em 1,75 bilhão de transações, segundo levantamento do Hub do Comércio da federação com base em dados do Banco Central.
O crescimento é expressivo: 20,1% a mais em valor e 16,9% a mais em quantidade de transações na comparação com o mesmo período de 2025. Com esse desempenho, Pernambuco conserva a segunda colocação entre os estados do Nordeste em movimentação financeira via Pix, atrás apenas da Bahia, e ocupa a nona posição no ranking nacional, respondendo por cerca de 2,4% de todo o volume movimentado no país no período.
Um instrumento incorporado à rotina
Os dados mostram evolução mês a mês. Em janeiro, o valor movimentado pelos pernambucanos foi de R$ 69,1 bilhões; em junho, chegou a R$ 73,9 bilhões. Maio, puxado pelo Dia das Mães, registrou o maior número de transações do semestre, reforçando a relação direta entre datas comemorativas e o uso da ferramenta no comércio.
Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, o movimento reflete uma mudança estrutural nos hábitos de consumo e nas rotinas empresariais:
“O Pix tornou-se um instrumento incorporado ao dia a dia dos consumidores e das empresas. A expansão observada em Pernambuco acompanha a transformação dos meios de pagamento, contribuindo para maior agilidade nas transações comerciais e para a circulação de recursos na economia.”
Empresas movimentam menos transações, mas mais dinheiro
Um dos dados mais reveladores do levantamento é o peso das pessoas jurídicas na movimentação financeira. Elas respondem por apenas 8,4% das transações realizadas no estado, mas concentram 43,1% de todo o valor movimentado no semestre, um total de R$ 179,2 bilhões. Já as pessoas físicas somaram R$ 236,5 bilhões em pagamentos via Pix.
A diferença fica ainda mais clara no ticket médio: as operações empresariais tiveram valor médio de R$ 1.224,47, cerca de 8,3 vezes superior ao das pessoas físicas, cujo ticket médio foi de R$ 147,32. Segundo o economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima:
“O elevado ticket médio das operações realizadas por pessoas jurídicas mostra que empresas de diferentes portes incorporaram o Pix aos pagamentos e recebimentos de maior valor, ampliando sua participação na dinâmica econômica estadual.”
Recife concentra a maior fatia, mas Sertão e Agreste aparecem no ranking
A pesquisa aponta forte concentração da movimentação na Região Metropolitana do Recife, responsável por 55,7% de todo o valor movimentado no estado. Sozinha, a capital respondeu por R$ 138,7 bilhões, equivalente a 33,4% do total estadual.
Vale destacar que, entre os municípios com maior movimentação financeira via Pix, aparecem dois polos fora da capital com forte identidade regional: Petrolina, no Sertão do São Francisco, e Caruaru, no Agreste. Ambos figuram na lista ao lado de Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Cabo de Santo Agostinho, Paulista, Goiana, Ipojuca e Vitória de Santo Antão, municípios que, somados a Recife, concentram cerca de dois terços de toda a movimentação financeira via Pix em Pernambuco.
Os dados também mostram perfis econômicos distintos entre as cidades. Em Goiana, as pessoas jurídicas responderam por 78,5% do valor movimentado, um reflexo direto da presença industrial e portuária no município, mesma lógica que explica a elevada participação empresarial registrada em Ipojuca.
Pernambuco no cenário nordestino
Na comparação regional, Bahia, Pernambuco e Ceará concentraram mais da metade de toda a movimentação via Pix no Nordeste no primeiro semestre de 2026. A Bahia liderou com R$ 629,9 bilhões, seguida por Pernambuco, com R$ 415,7 bilhões, superando o Ceará, que registrou R$ 405,9 bilhões.
Quando o critério é o valor movimentado por habitante, no entanto, Pernambuco cai para a terceira posição entre os estados nordestinos, atrás de Paraíba e Ceará. O levantamento revela ainda um dado que chama atenção: os pernambucanos pagaram R$ 9,6 bilhões a mais do que receberam via Pix no semestre, resultando em saldo líquido negativo nas transações do estado.
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