Quem achou que o clima da pré-campanha já estava pesado, prepare o estômago. Chegamos àquela sexta-feira que separa os amadores dos profissionais da política. Amanhã, 15 de agosto, fecha-se a porta do Tribunal Superior Eleitoral para o registro oficial de candidaturas. No domingo, 16, soa o gongo: está oficialmente liberada a caça ao voto, nas ruas, nos carros de som e no turbilhão das redes sociais. O “ensaio geral” acabou. A partir de agora, o jogo é jogado sem meias-palavras e a temperatura no clima eleitoral pernambucano promete bater recordes.
O duelo de gigantes e a guerra dos cliques
Não há como dourar a pílula: o embate direto entre o Palácio do Campo das Princesas e a oposição liderada pelo PSB atingiu o ponto de ebulição. Se nas últimas semanas o confronto já movimentou bancadas inteiras de advogados no TRE-PE – com direito a trocas de acusações, representações contra vídeos anônimos e questionamentos sobre o uso de inteligência artificial – a tendência agora é o confronto aberto de narrativas.
De um lado, a governadora Raquel Lyra aperta o passo para transformar entregas administrativas e obras em capital eleitoral sonante, reforçando o discurso de mudança de rota no Estado. Do outro, João Campos e sua frente ampla partem para a cobrança sistemática de promessas, apostando na força da máquina comunicacional e no recall das gestões socialistas. Ninguém vai dar trégua. O eleitor que se prepare para uma enxurrada de versões sobre quem fez, quem deixou de fazer e quem tem mais fôlego para prometer.
O nó do Senado: duas vagas e muito cotovelo
Se a disputa pelo Executivo já tem suas trincheiras bem cavadas, o verdadeiro teste de lealdade e sobrevivência política está na corrida para o Senado. Com duas vagas em jogo este ano, o tabuleiro virou um liquidificador de vaidades que ainda pode render surpresas até a meia noite de amanhã.
As acomodações de última hora nas chapas e a escolha estratégica dos suplentes revelam o jogo real: não se trata apenas de discurso bonito em convenção, mas de amarrar bases no Agreste e no Sertão para garantir estrutura e tempo de rádio e TV. Quem ficou de fora já calcula o troco; quem conseguiu entrar sabe que terá de suar a camisa para não ser engolido pela polarização.
O interior é o juiz da partida
Pela experiencia deste repórter que participou e trabalhou em todas as campanhas eleitorais desde 1986, ou seja, há 40 anos, sabe-se que o Recife e Região Metropolitana são vitrines barulhentas, mas a história política de Pernambuco ensina: eleição estadual se decide no interior. A partir de domingo, começam as romarias pelos palanques municipais.
Aí vem grande pergunta de bastidor que começa a ser respondida no pó da estrada: quantos prefeitos que prometeram fidelidade vão realmente carregar seus candidatos no lombo? Traições de gabinete, fotos de ocasião e o velho “jogo duplo” vão começar a aparecer na primeira curva da BR-232. Apertem os cintos. O palanque está montado, as cartas estão na mesa e como ja disse aqui, a partir de domingo, a política de Pernambuco não aceita mais blefe.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Quem pode se dar melhor com o eleitorado pernambucanocomo inícioda campanha oficial, Governo ou Oposição?










