Home / JS Eleições 2026 Opinião / A fatura liquidada no primeiro turno e a roleta dos votos válidos

A fatura liquidada no primeiro turno e a roleta dos votos válidos

Se tem uma coisa que marqueteiro adora vender em mesa de café no Pina ou nos corredores palacianos, é a fantasia do nocaute relâmpago. A conversa de bastidor agora é uma só: “a fatura fecha no primeiro turno”. No plano federal, o lulismo tenta forçar a barra do voto útil para liquidar a fatura logo; em Pernambuco, a turma do Palácio do Campo das Princesas jura de pés juntos que a máquina estadual vai engolir a oposição antes do segundo round, enquanto os socialistas tentam manter a compostura. Mas pesquisa não é torcida, e a nova rodada da Quaest veio com um balde de água fria temperada com vinagre para acalmar a euforia dos mais afoitos, me incluindo nesse grupo.

A conta dos votos válidos em Pernambuco: 52,4% x 45,1%

Vamos direto à matemática da urna, sem o malabarismo das assessorias. Quando a Quaest coloca Raquel Lyra com 43% e João Campos com 37% na pesquisa estimulada (com Ivan Moraes e Renan Hallais marcando 1% cada, além de 12% de indecisos e 6% de brancos/nulos), o que acontece quando expurgamos os não-votos e calculamos os votos válidos?

O bolo total de votos nominais soma 82%. Fazendo a regra básica do Tribunal Superior Eleitoral:

  • Raquel Lyra (PSD): atinge 52,4% dos votos válidos.
  • João Campos (PSB): marca 45,1% dos votos válidos.
  • Ivan Moraes (PSOL): 1,2%.
  • Renan Hallais (Missão): 1,2%.

À primeira vista, a turma governista vai soltar fogos: “Olha aí, passou dos 50% mais um, acabou a eleição!”

Calma com o andor que o santo é de barro. Com a margem de erro de três pontos percentuais, essa dianteira de Raquel nos válidos (52,4%) flutua perigosamente no limiar do segundo turno. Dois ou três pontos que oscilem para João ou para a abstenção arrastam a disputa direto para a segunda volta, onde a mesma Quaest mostra um confronto imprevisível e milimetricamente colado (45% a 39%).

A única certeza de “primeiro turno” em Pernambuco é que a polarização PSD x PSB triturou qualquer resquício de terceira via. A fatura pode até fechar antes por falta de uma terceira força expressiva que force o desempate, mas longe de ser um passeio: é uma sangrenta guerra de trincheira.

Senado: um canil com três ossos para duas vagas

Se na majoritária para o governo o clima é de cabo de guerra, a corrida para as duas cadeiras do Senado virou uma ópera bufa de cotoveladas.

A Quaest mostra Marília Arraes (PDT) liderando com 17%, seguida coladinha por Humberto Costa (PT) com 14% e Mendonça Filho (PL) com 11% no consolidado dos votos. Eduardo da Fonte corre por fora com 7% e Túlio Gadêlha amarga 4%.

O veneno dos bastidores está aqui:

O fogo amigo na esquerda: Humberto e Marília dividem o mesmo eleitorado lulista no Recife e na Região Metropolitana. Enquanto os dois se engalfinham para ver quem é o “verdadeiro senador de Lula”, abrem uma avenida para Mendonça Filho capitalizar o antipetismo e o voto conservador do Agreste e Sertão.

O mar de indecisos: Com espantosos 27% de indecisos e 18% de brancos e nulos (isso sem falar nos 78% que não fazem ideia de quem votar na espontânea!), quem disser que tem vaga garantida em Brasília está mentindo descaradamente. O segundo voto para o Senado é terra de ninguém e promete traições históricas nos palanques municipais.

No frigir dos ovos

A retórica de “ganhar no primeiro turno” serve muito bem para inflar comício, segurar verba de fundo eleitoral e fazer prefeito do interior pular de palanque na undécima hora. Mas a urna é manhosa. Em Pernambuco, Raquel tem a faca e o queijo, mas João tem dente para morder; em Brasília, o segundo turno já está contratado em cartório. Quem tiver pressa que vá tirando o cavalinho da chuva.

 A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: E você, acha que a fatura está consumada no primeiro turno ou teremos mais campanha até o final de outubro?

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *