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Pernambuco, 22 de outubro de 2021

Economia

A logística tem potencial de aumentar em mais de 30% a eficiência do agronegócio brasileiro. Por Augusto Barreiro

No ramo agrícola, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA, 2014), cerca de 70% dos fertilizantes utilizados nas regiões produtoras são importados. Essa dependência de nutrientes estrangeiros têm bastante influência nos custos direto de produção obrigando os produtores rurais a incluir às variações das taxas cambiais na contabilidade da safra, gerando um ambiente de incertezas no planejamento financeiro das propriedades rurais.

Postado em 29/09/2021 2021 14:53 , Economia. Atualizado em 29/09/2021 15:06

Colunista

Augusto Barreira Especialista em logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento Colunista do Jornal do Sertão

 

O Brasil apresenta, a cada ano, significativo crescimento nas relações comerciais de produtos agrícolas, firmando sua posição como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos. Mesmo em tempos de pandemia,  o Brasil abastece mais de 200 países  vem fortalecendo o setor de agronegócio, tornando-o uma da atividade econômica bastante resiliente.

Desta forma, em números,  observamos que o país responde hoje por 50% do comércio mundial da soja alcançando o primeiro lugar no planeta. Já o rebanho bovino brasileiro é o maior do mundo, representando 14,3% do rebanho mundial, temos o quarto maior rebanho de galináceos, somos o terceiro maior produtor de frutas do mundo. Além  disso, espontamos em primeiro lugar mundial na produção de café e açúcar e alcançamos a terceira posição na produção de carne suína, segundo dados da FAOSTAT.

Agronegócio mundial

É incontestável a representatividade do Brasil no agronegócio mundial, porém, no sistema produtivo agrícola existem fatores que vêm tirando o sono do produtor e impactando a competitividade econômica da agricultura nacional. Esses fatores refere-se à fluxos financeiros, logística de abastecimento e escoamento da produção. Nesse sentido, o conceito de bacias logísticas, ou seja, bolsões de coletas (origem) e entregas (destino) é extremamente relevante no sentido de compreender o centro de gravidade de movimentações das cargas no Brasil.

Imagem Divulgação

 

No ramo agrícola, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA, 2014), cerca de 70% dos fertilizantes utilizados nas regiões produtoras são importados. Essa dependência de nutrientes estrangeiros têm bastante influência nos custos direto de produção obrigando os produtores rurais a incluir às variações das taxas cambiais na contabilidade da safra, gerando um ambiente de incertezas no planejamento financeiro das propriedades rurais.

Portanto, diante dessa volatilidade nos fluxos financeiros devido ao câmbio outro grande desafio da logística está nos fluxos de material, pois quando falamos de insumos básicos de manejo como NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio), os bolsões de coletas desses materiais não estão próximos das regiões produtoras, ou seja, existe grande dependência dos portos no Sul e Sudeste, tanto para exportação de produtos, como importação de insumos.

 

Retrologística

Essa configuração logística acarreta em maiores custos de transporte, armazenagem e movimentação durante todos os estágios desse fluxo de insumos. Dentro dessa perspectiva,  faz-se necessário fomentar estudos de retrologística, ou seja, a disponibilidade de carga para caminhões ou trens fazerem o caminho de volta até as fazendas e agroindústrias após levar produtos do agro aos portos ou outro destino, tais medidas pode chegar a uma economia de mais 30% em toda a operação.

 

Cadeias produtivas

Nesse sentindo, é importante identificar cadeias produtivas e corredores comerciais de fertilizantes/insumos, desenvolver medidas estruturantes de acesso aos portos e entrepostos, considerando situações para o planejamento de escoamento da safra pelos portos do Arco Norte e Nordeste que visem redução de custos com a logística, alavancando a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros no cenário mundial.