Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 31 de maio de 2026

Agronegócios

O Vale do Pajeú espera a Caravana da Inovação

Há quarenta anos, a humanidade ficou encantada com a explosão de pequenas empresas de informática e computação que surgiram no estado da Califórnia, nos Estados Unidos

Postado em 04/11/2021 18:00

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

O vale do silício
Há quarenta anos, a humanidade ficou encantada com a explosão de pequenas empresas de informática e computação que surgiram no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. O impacto sobre a vida, a economia, a comunicação e os investimentos foram de tal monta que logo a região em que se destaca por essas empresas passou a ser chamada como Vale do Silício e as universidades em torno delas, em particular as Universidades de Berkley e da Califórnia criaram um polo de padrão universitário de alta qualidade, rivalizando-se com as famosas coirmãs conhecidas como Ivy League: Harvard, Princeton, Boston, MIT, entre outras.
As ações das empresas de tecnologia e comunicação transformaram as bolsas e passaram a ter um ambiente de negócios próprio, a NASDAQ, em alguns momentos chegando a ofuscar a sacrossanta Bolsa de Mercadorias de Chicago. A reviravolta continua e a cada momento nos deparamos com mudanças radicais no mundo da eletrônica, destacando-se um desses filmes distribuídos nas redes sociais deixando claro que o então telefone celular, substituiu de uma pancada só o fax, a secretária eletrônica, o telefone, a máquina fotográfica, a filmadora, a fotocópia, o escâner, a bússola, a calculadora, o termômetro, a televisão, o rádio, o computador, o tradutor e tantos outros objetos.
A dinâmica de desenvolvimento do Pajeú
O que tem a ver o Pajeú com isto? As últimas duas décadas trouxeram mudanças marcantes às cidades do Pajeú. A região criou uma identidade própria deixando de ser o “no where”, como se diz em inglês: o fim do mundo, passando a ser um ambiente de negócios que exige a cada momento a presença da inovação e de uma mão de obra qualificada. De norte a sul, todas as cidades do Pajeú se beneficiaram, destacando-se o seu maior centro dinâmico, Serra Talhada. Serra deixou de ser um município de passagem para quem ia à Salgueiro, Petrolina ou Araripina e, passou a imprimir uma dinâmica própria ao desenvolvimento do Pajeú. Atraiu jovens profissionais de todo o país e se refez. De uma comunidade tradicional e rural estabeleceu padrões de comportamento, serviços e consumo característicos de uma cidade polo.
Um dos fatores que mais contribuíram para isto foi a hospitalidade do Sertanejo. E quem chegava passou a adotar Serra Talhada, Afogados, Tabira, São José do Egito, Floresta como se fossem suas. Estabeleceu vínculos, visualizou oportunidades e engrenou a roda da prosperidade. Junte-se ao fato de que a gestão dessas cidades passou a ser mais profissionais e os investimentos públicos ou privados, mais bem dirigidos e aproveitados.

Educação, saúde, comércio
Apesar de agropecuária continuar sendo segmentos importantes da economia sertaneja, o comércio saiu à frente. Aproveitou-se de grandes investimentos públicos aportados na região com programas como: Minha casa minha vida”; Ferrovia Transnordestina, mesmo que incompleta; recuperação da malha rodoviária de Recife à Araripina e Petrolina; contando com a não menos importante contribuição dos programas sociais. Toda esta máquina em movimento mudou a face das cidades. Adicionalmente, chegaram as universidades públicas e privadas, oferecendo oportunidade para os jovens e injetando conhecimento e costumes de várias regiões do Brasil.
A demanda por serviços cresceu e uma das atividades destacada, a saúde, se consolidou fazendo com que Serra Talhada conte com uma das mais altas densidades “per capita” de médicos, enfermeiros, dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas, gestores, em todo o estado de Pernambuco.
Outro indicador que vale a pena mencionar é o transporte aéreo. Contar com dois voos diários para Recife torna Serra Talhada uma cidade conectada com o mundo. Já não se faz necessário ter se deslocar por via terrestre os 420 quilômetros que a separa da capital para o embarque. Esta conquista facilita os negócios de modo geral, eleva a autoestima e torna a região atraente a turistas e empresários.
Do silício ao granito – Este é o vale do Pajeú
Esta conversa é para deixar claro que a Caravana da Inovação, uma iniciativa do governo estadual que visa investir em tecnologia digital e fomentar o surgimento de novos empreendimentos, não poderia aportar em ambiente mais propício. Serra Talhada está de braços abertos para receber qualquer que seja o aporte de conhecimento e infraestrutura de rede. Hoje, conta com mais de dez mil estudantes universitários, uma dezena de instituições de ensino superior, berço de empresas destaques no cenário estadual e regional e com uma juventude que busca seu lugar no ambiente econômico.
A partir de Serra Talhada vários nós (hubs) de interconexão de redes de comunicação e logística podem ser estabelecidos e não é ilógico se prever que em duas décadas Serra será o quarto polo mais importante em ciência, tecnologia e inovação de Pernambuco, seguindo-se de Recife, Petrolina e Caruaru. Pasmem! A distância foi sua aliada e ela soube aproveitar.
Que a Caravana da Inovação seja testemunha do que virá. Ao se acionar as forças da economia e da tecnologia a seu favor, somente uma catástrofe mudará seu curso, o que não é o caso. E o que sobra para o agronegócio? Sobram consumidores mais exigentes, mais qualificados e mais prósperos e esta chance não será desperdiçada. Ao mesmo tempo a região contará com cadeias produtivas consolidadas, competitivas e uma capacidade de transação de bens e mercadorias na qual todos sairão ganhando, o mundo rural também.
Serra Talhada, 04 de novembro de 2021