
Aumento da Selic é “equivocado” e vai inibir investimentos e crédito, diz economista da Fiepe
O economista da FIEPE, Cezar Andrade, afirma que o aumento excessivo da taxa é equivocado, pois inibe os investimentos e torna o crédito mais caro
Postado em 05/05/2022 17:15

Cezar Andrade, economista da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe)/ Foto: Arquivo Pessoal
O aumento da Selic para 12,75% ao ano anunciada nesta quarta-feira (4) pelo Banco Central foi avaliada como “equívoco”, segundo o economista Cezar Andrade da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe). O especialista falou que o aumento das taxas de juros vai inibir os investimentos locais e o crédito vai ficar mais caro, ou seja, cada vez mais inacessível.
“Essa ação do BC trava o crescimento econômico, podendo causar desemprego. Com relação ao Sertão de Pernambuco esse aumento na taxa afeta também no quesito créditos, o que já era difícil a partir de agora fica pior influenciando diretamente no crescimento da economia”, frisou. Para Cezar Andrade a taxa virou um “remédio amargo”, e que a política de contração monetária mais atrapalha do que ajuda.
“A medida de tentar esfriar a atividade econômica não está funcionando, pois a inflação que estamos vivenciando não é de demanda ou de consumo, mas conjuntural e de custos”, pontuou Andrade.
Justificando seu ponto de vista o economista explica que a população não tem consumido muito, pelo contrário. “Ela está vindo de uma crise, e é perceptível que o povo está pisando no freio com relação ao consumo. Repito o grande problema da inflação é de demanda e não de consumo”, reiterou.

Inflação
Cezar Andrade acrescentou ainda que a Selic, o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, não tem cumprindo seu papel. Há pelo menos 16 semanas , as estimativas do mercado para a inflação vêm crescendo. Em março, o IPCA foi 1,62%, maior taxa para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. Em 12 meses, o acumulado chegou a 11,30%, quase o dobro do teto da meta do Banco Central, que é de encerrar o ano com inflação de 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.