Home / Ciência e Tecnologia / Agronegócios / O desespero de Trump contra o Brasil

O desespero de Trump contra o Brasil

Até pouco tempo atrás, os Estados Unidos se davam ao luxo de se declararem a maior democracia ocidental e guardiã dos valores do mundo livre. Mesmo sendo o principal financiador de golpes militares, intrusão, espionagem em todos os continentes e, pasmem, contra seus aliados, em especial.

O segundo governo de Donald Trump tem se caracterizado por duas vertentes. A primeira é fazer com que todo o aparato de Estado se coloque em defesa dos crimes de ordem fiscal, moral e cível cometidos pelo presidente e membros da administração e, em segundo, vender para os americanos que a América será novamente grande, desde que os mecanismos de coerção e bullying sejam aplicados indiscriminadamente.

Este movimento caótico, que alguns consideram estratégia de negociação, atingiu os vizinhos de norte e sul, Canadá e Estados Unidos, e os países europeus que fazem parte da OTAN. Além desses, o aparato do Departamento de Estado, liderado por um latino frustrado, o Marco Rubio, tratou de eleger países que não aderem às políticas de extrema-direita adotadas por Trump para amedrontar e impor uma vontade unilateral.

Em abril de 2025, tarifas de até 50% haviam sido anunciadas contra o Brasil, causando um verdadeiro pandemônio de análises inconsistentes pela mídia, pela academia, pelos empresários e por políticos da extrema-direita que optaram por servir a Trump e seu séquito, esquecendo seu país, o Brasil. Além dos exageros e imprecisões, parte deste grupo insiste em não saber como os Estados Unidos tratam os traidores. Literalmente como um saco de lixo. Basta ler um pouco da história sobre quem traiu o Vietnã, Cuba, Irã, Granada e até os que fugiram do Brasil loucos para repassar o que sabiam sobre o país, como o ex-deputado Sérgio Ramagem. Aquele que instalou uma Abin paralela para bisbilhotar a vida dos adversários do bolsonarismo e deles próprios.

Desrespeito aos acordos comerciais, de paz e ao processo civilizatório.

Sabendo que as sanções impostas no ano passado não funcionaram, afinal o Brasil cresceu com suas exportações em todas as áreas e, defrontando-se com uma situação calamitosa interna, com alta de inflação e do custo de vida, o que atinge de cheio o eleitorado MAGA – Make America Great Again, devorando os salários e levando à falência pequenos comerciantes e o agronegócio, o governo trumpista cria uma guerra a cada momento e retaliações sucessivas. A situação de desespero chegou a tal ponto que o presidente americano interferiu junto a outra instituição de moralidade duvidosa para rever um cartão vermelho aplicado a um jogador da seleção de futebol dos Estados Unidos na Copa do Mundo que ocorre na América do Norte.

Como cada movimento tem produzido um efeito inverso e a cada dia o cidadão americano se conscientiza da gravidade em que se encontra o país, o importante para o trumpismo é mudar de assunto a cada momento, de forma que o circo continue ardendo sem que a plateia note, e que qualquer menção ao Arquivo Epstein, que trata da depravação da elite americana e europeia e que tem como um dos atores principais o próprio presidente americano. Daí a obediência às leis e a convivência com os demais países foram postas em segundo plano.

A política externa americana retrocedeu ao século XIX

Em novembro de 1823, sob a presidência de James Monroe, contando com a iniciativa do secretário de Estado John Quincy Adams, que o sucedeu, os Estados Unidos lançaram as bases para a política “América para os americanos”. Trocando os colonialistas europeus pela tutela americana, algo que permanece atual até os dias de hoje.

A tentativa de esconder o óbvio, a falência da democracia americana, que, desde a queda de Saigon, em 29 de abril de 1975, deu fim a uma guerra que durava meio século, primeiramente contra os franceses, vencidos em Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954. A erosão do prestígio e do respeito dos Estados Unidos não é algo recente, mas ano após ano e período após período dos presidentes americanos se acelera, chegando ao ponto de difícil inflexão a que Trump submete o país.

O Brasil deve tomar medidas protetivas contra o agressor e os traidores internos

No caso do Brasil, há que se considerar que a maioria de sua elite empresarial, política e militar, não faria a mínima questão de ver o país transformado em um novo Porto Rico. Chegam ao ponto de irem aos Estados Unidos aconselhar os ditos falcões do governo no Departamento de Estado sobre como atingir de modo mais efetivo o Brasil. Inclusive subsidiando com informações falsas as investigações abertas pelos Estados Unidos contra o Brasil, como se tivessem a mínima condição moral de investigar quem quer seja, quando, dentro da própria Casa Branca, reside o principal antro de corrupção daquela nação.

Trazem nas ameaças a preocupação com as facções criminosas existentes no Brasil, sem citarem os milicianos do Rio de Janeiro, que são uma das principais gangs. Fala-se de corrupção, esquecendo quem são os beneficiários do Banco Master, no Brasil, ou das bitcoins nos Estados Unidos, e, sem a mínima preocupação com a lógica, tentam deixar claro que o Pix, um sistema de transação simplificado criado pelo Brasil e adotado por milhões de brasileiros e estrangeiros, estaria ameaçando as instituições americanas. Primeiro, considerando que o Brasil não tem por que ter independência tecnológica em qualquer que seja a área; em segundo, divulgando algo desmentido pela empresa de cartões Americanas, Visa, que deixou claro que, para ela, ocorreram ganhos após a implementação do Pix.

Esperando o que pode ocorrer a partir de 17 de julho de 2026, em termos de tarifas comerciais, é importante que se alerte aos fãs de Trump, principalmente dentre o agronegócio nacional e aos nordestinos que têm como um de seus mercados os americanos, que o líder que elegeram para apoiar não passa de alguém que semeia a desordem entre as nações e leva a mais rica nação do mundo a situação de delinquência sem precedentes..

Geraldo Eugênio – Professor titular da UFRPE-UAST

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *