A apuração das urnas para a Câmara dos Deputados entregou mais do que uma simples lista de 25 parlamentares. O resultado desenhou um retrato fiel da atual fragmentação política do Estado. Em um pleito que renovou cadeiras cruciais e deixou lideranças tradicionais pelo caminho, a reconfiguração da bancada pernambucana em Brasília é explicada por eixos bem definidos.
O fenômeno dos campeões de voto: Tradição familiar e revolução digital
No topo da lista, dois perfis antagônicos dividiram o protagonismo da preferência popular:
Pedro Campos (PSB): Com 261.555 votos, garantiu o topo da lista. O resultado demonstra que a “marca Arraes/Campos” mantém uma musculatura orgânica impressionante e um eleitorado fiel nas bases do estado, funcionando como o verdadeiro fiador do PSB na esfera proporcional.
Jones Manoel (PSOL): O grande fato político deste pleito. Rompendo a barreira dos 249 mil votos sem o uso da máquina pública e fora dos grandes acordos partidários, sua eleição escancara a força da comunicação digital e a busca do eleitorado de esquerda por um discurso combativo.
Anderson Ferreira (PL): Com 185.429 votos, puxou a bancada conservadora, reafirmando a força da pauta de costumes e do eleitorado evangélico na Região Metropolitana e no Agreste.
A consolidação do Avante e a força política de Waldemar Oliveira
Um dos grandes destaques desta eleição foi a reeleição de Waldemar Oliveira (Avante).
Sobrevivência e peso partidário: Com 97.152 votos obtidos por meio do cálculo de médias e sobras, Waldemar garantiu não apenas a sua permanência em Brasília, mas manteve viva a longeva tradição política de sua família Oliveira no Sertão do Pajeú e em todo o interior. Sebastião Oliveira também garantiu a volta na cadeira da ALEPE.
Poder de articulação: A vitória reforça o Avante, sob o comando de Sebastião, como um player estratégico na formação das bancadas pernambucanas. Líder ativo na Câmara e articulador de pautas de impacto nacional, Waldemar provou que ter trânsito entre prefeitos e capacidade de formar chapas competitivas é tão decisivo quanto as grandes votações de topo.
A vitória dos prefeitos e das máquinas regionais
Abaixo dos primeiros colocados, o pragmatismo das prefeituras falou alto. Candidaturas impulsionadas pela força das bases municipais mostraram que a política tradicional de articulação local continua imbatível:
Marcelo Gouveia (Podemos) e Juliana de Chaparral (União Brasil): Ultrapassaram a marca dos 183 mil votos cada, reflexo direto do peso das gestões municipais da Zona da Mata e do Agreste na construção de candidaturas competitivas.
Silvio Costa Filho (Republicanos): Com 170.859 votos, consolidou sua travessia para mais um mandato com trânsito livre no cenário estadual e nacional.
A matemática cruel do quociente e as “vítimas” das sobras
O cálculo do Quociente Eleitoral e a divisão das sobras partidárias promoveram distorções marcantes no resultado:
Candidatos com musculatura expressiva, a exemplo de Miguel Coelho (União Brasil), que ultrapassou os 102 mil votos, ficaram de fora da lista de eleitos devido ao afunilamento de vagas na nominata do partido.
Por outro lado, legendas que souberam calibrar suas nominatas, como o próprio Avante de Waldemar Oliveira e a União Progressista, maximizaram o aproveitamento de cada voto, garantindo assentos cruciais.
Desafio do Governo de Pernambuco com a bancada
A nova bancada federal de Pernambuco reflete um estado plural e multifacetado: do peso dos sobrenomes tradicionais e da renovação digital à força silenciosa de nomes como dos Oliveiras, que souberam operar a engenharia eleitoral para garantir seu espaço. Brasília receberá deputados com trajetórias completamente opostas e o desafio do Palácio das Princesas será justamente articular com uma bancada heterogênea e experiente a partir de 2027.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Raquel vai conseguir governar Pernambuco esta composição da bancada federal na Câmara?










