
Um episódio causa assombrações ao País. por Angelo Castelo Branco
Não importando os rumos que o episódio venha a tomar, é muito grave a decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, obrigando um titular da presidência da República a comparecer a uma delegacia de polícia para prestar depoimento seja lá sobre o que for.
Postado em 04/02/2022 11:18

Angelo Castelo Branco – Jornalista
Liturgia pela democracia
Não importando os rumos que o episódio venha a tomar, é muito grave a decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, obrigando um titular da presidência da República a comparecer a uma delegacia de polícia para prestar depoimento seja lá sobre o que for. O cargo de chefe da nação, independentemente de quem o ocupe, exige respeito a uma liturgia sem a qual o espírito das leis consagrado pelo clássico do barão de Montesquieu em sua tripartição dos poderes, fica arranhado e pode danificar os alicerces de uma democracia.
Desserviço à Pátria
A questão é grave na medida em que revela uma linha de conduta áspera e provavelmente perene nas relações entre o presidente da República e o corpo da Suprema Corte. Esse tipo de impasse soa como um desserviço ao país. A ruptura da harmonia entre os poderes de uma república não se encerra com os maus humores ou as disputas entre egos de quem quer que seja.
Instabilidade Jurídica
A desarmonia gera um espectro enorme de instabilidades. Desde as perplexidades no âmbito do congresso nacional (minimizadas pelo temor de congressistas que são réus), aos impactos junto ao eleitorado e à percepção de instabilidade jurídica no mercado nacional e global. Investidores e corporações não põem dinheiro em nações institucionalmente fragilizadas, não importando quais versões do episódio venham a prevalecer nas mídias e entre militantes.
Orfandade de políticos
O imbróglio Moraes-Bolsonaro, longe de terminar, acrescenta um distúrbio a mais na nação que atravessa uma turbulência de radicalizações com o agravante da orfandade de líderes políticos minimamente confiáveis ou que, pelo menos, jamais tenham passado pela polícia ou pela prisão.