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Pernambuco, 11 de junho de 2026

Política

Um episódio causa assombrações ao País. por Angelo Castelo Branco

Não importando os rumos que o episódio venha a tomar, é muito grave a decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, obrigando um titular da presidência da República a comparecer a uma delegacia de polícia para prestar depoimento seja lá sobre o que for.

Postado em 04/02/2022 11:18

Angelo Castelo Branco – Jornalista

 Liturgia pela democracia

Não importando os rumos que o episódio venha a tomar, é muito grave a decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, obrigando um titular da presidência da República a comparecer a uma delegacia de polícia para prestar depoimento seja lá sobre o que for. O cargo de chefe da nação, independentemente de quem o ocupe, exige respeito a uma liturgia sem a qual o espírito das leis consagrado pelo clássico do barão de Montesquieu em sua tripartição dos poderes, fica arranhado e pode danificar os alicerces de uma democracia.

 Desserviço à Pátria

A questão é grave na medida em que revela uma linha de conduta áspera e provavelmente perene nas relações entre o presidente da República e o corpo da Suprema Corte. Esse tipo de impasse soa como um desserviço ao país. A ruptura da harmonia entre os poderes de uma república não se encerra com os maus humores ou as disputas entre egos de quem quer que seja.

Instabilidade Jurídica

A desarmonia gera um espectro enorme de instabilidades. Desde as perplexidades no âmbito do congresso nacional (minimizadas pelo temor de congressistas que são réus), aos impactos junto ao eleitorado e à percepção de instabilidade jurídica no mercado nacional e global. Investidores e corporações não põem dinheiro em nações institucionalmente fragilizadas, não importando quais versões do episódio venham a prevalecer nas mídias e entre militantes.

 Orfandade de políticos

O imbróglio Moraes-Bolsonaro, longe de terminar, acrescenta um distúrbio a mais na nação que atravessa uma turbulência de radicalizações com o agravante da orfandade de líderes políticos minimamente confiáveis ou que, pelo menos, jamais tenham passado pela polícia ou pela prisão.