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Pernambuco, 19 de junho de 2026

Agronegócios

Os avanços na produção de grãos | Por Geraldo Eugênio

O ano de 2022 começou muito bem. A caatinga em seu vigor e as chuvas que caiam numa constância admirável.

Postado em 12/05/2022 19:00

Colunista

Geraldo Eugênio, Professor Titular da UFRPE-UAST

Parece que nada mudou

O ano de 2022 começou muito bem. A caatinga em seu vigor e as chuvas que caiam numa constância admirável. Quem semeou seu milho no final de janeiro, deve estar próximo de colher suas espigas. Aqueles que, por alguma razão atrasam a semeadura, pagam o alto preço por haver desperdiçado a água que havia sido ofertada.

Parece ser o nosso caso. Semeamos uma pequena roça de milho e sorgo entre 16 e 24 de março de 2022. Só se nota quão severa é a situação quando se confronta com os dados climáticos. Choveu muito pouco para o milho e para o sorgo, mas foi o que se conseguiu fazer neste espaço de tempo.

As duas culturas recebem o devido tratamento agronômico. Controle de ervas, de pragas e uma boa fertilidade. Talvez o preparo de solo não tenha sido o mais adequado o que reflete diretamente na distribuição das sementes e na população de plantas por hectare. De qualquer forma os híbridos cresceram, mas ao chegar ao florescimento, uma das fases mais críticas senão a mais crítica o cultivo do milho, a chuva se escondeu e não deu o ar de sua graça. Pobres plantas que dia após dia viam que suas espigas não seriam as mesmas, os grãos não seriam fertilizados e aqueles que foram não cresceriam devidamente, levando todos nós a lamentar o fato de não se conseguir a produtividade esperada.

Esta é a realidade para o cultivo dependente de chuva e sempre assim o será.

O papel das biologias para a agricultura

A surpresa perante este ambiente de risco climático, o que ocorre em todo o semiárido do mundo, é a aplicação das tecnologias avançadas nas últimas duas décadas, em especial. Imagine poder cultivar o milho não dependendo da capina manual ou mecânica, de não haver necessidade para aplicação de inseticidas para o combate às principais pragas, ou se contar com híbridos mais tolerantes ao estresse hídrico e ao calor. Este conjunto de caracteres foi o que a genética tem a oferecer nos materiais atuais.

 E os novos fertilizantes?

Associada à tecnologia biológica, um salto significante em termos de eficiência se deu na indústria de fertilizantes. Adubos mais solúveis e de maior taxa de absorção e micronutrientes que interferem diretamente no crescimento do sistema radicular ou na eficiência fotossintética fazendo com que a planta use com maior eficiência a luz e a água, encontram-se nas prateleiras. Todo este conjunto de novas tecnologias disponíveis aos produtores de todos os portes fez com que a produtividade crescesse em todo o mundo e, não é à toa que o Brasil, de um país importador até quinze anos atrás, passou a ser um dos mais importantes mercados exportadores de grãos de milho.

Ainda há muito a ser feito

Em todo Novo Mundo acima descrito não lhe dará garantia de uma boa safra. Algumas questões merecem uma atenção especial por parte dos formulares de políticas e agentes ligados à agropecuária. A primeira delas diz respeito à informação de clima ser disponibilizada de modo simples e amigável conectando-se a modelos de previsão de produção e disponibilidade de forragem. Assim caberá ao produtor contar com elementos que embasem suas decisões. O que plantar? Quando? Contará com suporte forrageiro para o rebanho daqui a dois meses?

Quais são os riscos de um atraso de quinze dias no plantio? Na maioria dos casos custa-se caro. No Sertão, plantios a partir do mês de fevereiro é uma loteria: pode dar certo ou não. Há anos em que as chuvas se estenderam até julho, o que é raro.

Uma coisa é certa, os antigos materiais cultivados produziriam muito pouco na situação descrita acima. As crenças e superstições vão dando espaço a informações baseadas em pesquisa. Aquela informação de que poderíamos plantar o milho no dia de São José, 19 de março, para colher quando das festas juninas, já não se aplica no Sertão. Pode ser que funcione de Pombos a Pesqueira, mas nem sempre se pode esperar muito. Este ano, por exemplo, os plantios no Agreste estão comprometidos.

Perspectivas

Este é o quadro real, entretanto caberá a todos envolvidos, a começar com os pesquisadores, estudar melhor o que se tem em mão e aproveitar toda informação e avanço científico a seu favor de modo que a probabilidade de acerto cresça.

A referência ao milho é porque se trata do cereal de maior amplitude de uso e, consequentemente maior demanda, mas não gostaria de esquecer o que representam o sorgo, seja granífero ou forrageiro, e o milheto para as regiões semiáridas do Nordeste.

São espécies que evoluíram no Sahel Africano ou no Planalto do Deccan, na Índia. Adaptadas a temperaturas elevadas e baixo teor de precipitações, terão maior presença em um mundo que testemunha: uma mudança climática em que o clima se torna mais seco e as precipitações menores ou mais incertas. Sobre esses dois camaradas há informações que poucos conhecem.

A primeira é que quase todas as cultivares de milheto cultivadas no Brasil têm como origem a variedade IPA Bulk-1, desenvolvida pelo programa de Cereais do IPA. A segunda é que a cultivar de sorgo IPA 1011, também desenvolvida em Pernambuco é imensamente mais conhecida e cultivada do que no semiárido brasileiro.

Trata-se de dois cereais que se encaixaram perfeitamente na moderna técnica de plantio direto e na integração lavoura x pecuária x floresta e a contribuição para a expansão das áreas cultivadas nas franjas dos Cerrados somente avalia a importância quem tem convivido com os cultivos de chuvas e as ditas safrinhas nessas regiões.

Preparem-se para uma tarefa digna de Prometeu, empurrar a pedra morro acima e vê-la escorregar de seus ombros e rolar abaixo, mas não desanimem. Chegaremos lá. Avançou-se muito e a já começamos a colher os frutos dessa longa caminhada pela convivência com o semiárido. Agora é persistir e fazer a coisa como se deve.