
O ensino médio público e a profissionalização
A UFRPE-UAST, de Serra Talhada, participa com a UNIVASF, Petrolina, e o iCEIS-UFPE, Recife, de um projeto liderado por um professor da última instituição denominado …… que visa atrair jovens das escolas públicas para o ensino superior, priorizando a área da saúde. Dialogando com o Prof. José Lamartine, mentor da iniciativa, tentamos mostrar que a saúde de uma sociedade começa com uma alimentação saudável e, consequentemente, com alimentos de qualidade.
Postado em 28/05/2026 12:34

A UFRPE-UAST não conta diretamente com cursos voltados à área de saúde mas com alguns diretamente relacionados à alimentação, como a Agronomia, a Zootecnia e a Engenharia de Pesca. Felizmente, nosso argumento foi acatado e assim, o projeto passou a contar com três núcleos, um em Recife, um segundo em Serra Talhada, no centro do estado, e o terceiro em Petrolina. No caso específico do Sertão do Pajeú, foi eleita a Escola de Referência Irnero Ignácio como a que os profissionais e estudantes da UFRPE-UAST montariam um programa de trabalho. Ao conhecer a direção da escola, na pessoa da Profa. Lúcia Helena Magalhães, para surpresa, fomos informados de que há turmas que, além do ensino integral clássico, participam de um programa profissionalizante. No caso da Escola Irnero Ignácio, o curso de Nutrição e Dietética, em cooperação com o Senar – Serra Talhada.
Minha primeira reação foi de surpresa. Conhecendo o trabalho da equipe do Senar em Serra Talhada e suas instalações, cuja sede dista aproximadamente 200 metros da escola, percebi que os jovens estavam participando de um programa de elite em termos de aprendizado e oportunidade, além do mais fiz ver à Professora Lúcia Helena que o estado de Pernambuco, tendo como embrião o Departamento de Nutrição da UFPE, é um dos centros de excelência em Nutrição humana, tendo contado, entre tantos, professores do quilate de Josué de Castro, Nelson Chaves, Naide Teodósio, Nonete Guerra. Continuo a manter uma aproximação fraternal com os professores Rubem Guedes e Raul Manhães e aprender com o que sempre estão a fazer e divulgar.
Um outro aspecto interessante é que a escola Irnero Ignácio, apesar de estar literalmente colada ao Shopping Center de Serra Talhada, recebe alunos dos bairros, de famílias mais humildes e que exigem um esforço adicional para fazer esses jovens crerem que a universidade é o futuro deles.
Ensino superior disponível e sobra de vagas
É com esta realidade que as instituições de ensino superior públicas se deparam com o fato de que, em quase todos os estados, em particular depois da pandemia, a atração ao ensino formal não é a mesma e, quase sem exceção, os cursos diurnos oferecem um número de vagas que quase sempre não é atendido e, em alguns casos, a aderência ao curso é de metade ou um pouco menos. Portanto, há um grande desafio a ser enfrentado pelos governos estaduais, responsáveis pelo ensino médio, embora a maioria dos recursos provenha do Ministério da Educação e do governo federal, que, por sua vez, abriga a maioria das universidades e dos institutos federais de educação.
Costumo chamar a atenção para o fato de que a política pública mais importante posta em marcha no país foi a democratização do ensino médio e do ensino superior. Nela está assentada a perspectiva de avanço e prosperidade de milhões de jovens do interior do país que até então não contavam com uma oportunidade como esta, entretanto para que esta hipótese seja comprovada será necessário um empenho adicional por parte de quem faz a escola de nível médio em convencer os jovens das oportunidades que lhes aguardam e aos gestores e professores das escolas de nível superior em sair do lugar comum e considerar que em não se adotar uma política mais agressiva de divulgação, o nome federal ou estadual por si só não é suficiente para atrair os jovens mesmo que, na maioria dos casos se oferte um ensino de qualidade superior e oportunidade de bolsas, estágio e apoio que uma escola privada não está preparada para tal, por melhor que ela seja.
Aqui não se discute o mérito nem a necessidade de se contar com escolas privadas, mas a visão cristalina de que o lugar do aluno de escola pública de nível médio é no seu equivalente no ensino superior, seja instituto, centro universitário, faculdade ou universidade. É importante deixar claro que a principal justificativa para a consolidação dos campi, institutos e universidades criados ao longo das últimas duas décadas é oferecer ensino de qualidade e que, ao menos, as vagas para ingressantes sejam atendidas.
A competição é forte e as escolas públicas devem atrair estudantes.
A aposta na formação dos jovens sertanejos representa o futuro da região.
Geraldo Eugênio – Professor titular da UFRPE-UAST