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Pernambuco, 15 de junho de 2026

JS Eleições 2026 Opinião

Saúde em Pernambuco: o campo de batalha entre governo e oposição onde os números não bastam

Adriano Roberto analisa a batalha entre governo e oposição no assunto “saúde”, nesta disputa eleitoral.

Postado em 15/06/2026 07:57

Jornalista ,

A saúde pública em Pernambuco deixou de ser apenas um desafio de gestão para se transformar no principal combustível do embate político na Assembleia Legislativa (Alepe) neste ano de 2026. Com as eleições se aproximando, o setor tornou-se uma vitrine de contradições, onde a narrativa oficial do Palácio do Campo das Princesas enfrenta um questionamento cada vez mais incisivo da oposição.

O Novo Aporte e a Narrativa de Entregas

Nesta semana, a notícia de um aporte de R$ 47,4 milhões do Ministério da Saúde, voltado para obras, equipamentos do SUS e a modernização da rede, serviu como novo fôlego para a gestão de Raquel Lyra. O governo busca, com esse reforço federal, sinalizar que a rede pública está em fase de expansão, focando em investimentos que incluem tomógrafos – como o de R$ 2,1 milhões destinado ao Recife – e o fortalecimento de unidades básicas e de atenção especializada.

A estratégia estadual é clara: confrontar os dados. Em balanços recentes apresentados na Alepe, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) defende que o orçamento da pasta saltou de R$ 8,67 bilhões (2022) para R$ 11,42 bilhões (2025), operando acima do piso constitucional de 12% da receita. Para o Palácio, os números provam o compromisso; para o cidadão, a eficácia do serviço é o que dita o tom da aprovação.

A Artilharia na Assembleia

Do outro lado do plenário, a oposição tem mantido uma postura implacável. Figuras como o deputado Sileno Guedes (PSB), presidente da Comissão de Saúde da Alepe, têm liderado uma ofensiva por transparência, questionando a falta de novas unidades estruturantes e a ineficiência no cronograma de entregas.

A crítica do PSB e de aliados é direta: a gestão estaria sendo ineficaz em “interiorizar” a saúde, focando em unidades móveis – como as “Carretas da Mulher” – em detrimento da construção de grandes hospitais e UPAs permanentes que garantam atendimento de alta complexidade em regiões carentes, como o Sertão.

O debate político subiu o tom com as denúncias de superlotação em hospitais como o Otávio de Freitas, com parlamentares da oposição acusando o Governo do Estado de “ausência de gestão” diante da crise na pediatria e da dificuldade na marcação de exames.

O Veredito Político

Para nós, observadores da cena pernambucana, o cenário é cristalino: a saúde tornou-se o termômetro da eleição. Enquanto o governo tenta ancorar sua marca na modernização técnica e no aporte de recursos federais em reformas estruturadoras, a oposição, articulada por nomes como Sileno, busca cristalizar a imagem de uma administração que não dialoga com as urgências das pontas.

O jogo é de paciência e estratégia. Até outubro, cada leito aberto, cada tomógrafo instalado ou cada denúncia de precariedade terá um peso multiplicado nas urnas.
Pernambuco assiste a uma disputa onde fatalmente o “dinheiro em caixa”, exibido pela gestão, vai precisar ser traduzido em “filas menores” exigidas pela população.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber:

Quem convencerá o eleitor de que o seu modelo de saúde é o que realmente funciona?