O Nordeste convive historicamente com ciclos de seca, e o mais recente, entre 2012 e 2017, ainda está na memória da região. Agora, o alerta em torno do Super El Niño reacende o debate sobre a preparação do semiárido, mas, segundo o professor Geraldo Eugênio, da UFRPE-UAST, a região já apresenta avanços importantes em tecnologia e infraestrutura para enfrentar o novo período de estiagem.
Nova palma forrageira ganha espaço
Um dos principais avanços é a cultivar palma orelha de elefante, introduzida pelo IPA após a infestação da cochonilha do carmim, que dizimou os antigos plantios de palma gigante. Atualmente, IPA, UFRPE e UFAPE testam novos genótipos de palma no Agreste e Sertão de Pernambuco, de Caruaru a Araripina, buscando variedades com maior potencial produtivo.
Já os capins seguem sem tecnologia própria para o semiárido: as sementes disponíveis foram desenvolvidas para outras regiões do país ou do exterior. Como alternativa forrageira, cresce o uso de cana-de-açúcar da Zona da Mata sul de Pernambuco e Alagoas.
Logística de grãos depende de obras paradas
A avicultura e a suinocultura da região seguem dependentes do milho vindo de Sergipe, Piauí, Maranhão e da Chapada do Araripe. O professor destaca que a duplicação da BR-232 e a instalação do trecho da Transnordestina entre Salgueiro e Suape, ainda não concluídas, poderiam facilitar esse transporte e o escoamento da produção avícola do Agreste.
Água: uso eficiente é o próximo passo
Para Geraldo Eugênio, a Transposição do Rio São Francisco e pequenas obras hídricas já mudaram a realidade do abastecimento urbano no semiárido, reduzindo a dependência de carros-pipa nas cidades. O desafio agora é o uso mais eficiente da água nas propriedades rurais, impulsionado pela energia fotovoltaica, e a recuperação de cisternas danificadas pelo tempo.
Seguro agrícola ainda precisa avançar
O professor defende um sistema de seguro agrícola mais justo, com subsídio parcial do governo ao valor da apólice e monitoramento rigoroso contra fraudes, hoje responsáveis por parte dos bilhões gastos anualmente em refinanciamento e perdão de dívidas do setor.
Para Geraldo Eugênio, o Nordeste está mais preparado para enfrentar a seca do que há uma década, mas o avanço depende da continuidade dos investimentos em infraestrutura hídrica, pesquisa e crédito agrícola.








