
Enquanto contaminação cresce, Governo reduz o número de leitos de UTI
Numa equação inversamente proporcional, o governo do estado tem dificultado o controle da COVID-19, na região do Vale do São Francisco
Postado em 07/12/2020 09:23

Foto: Divulgação
A última semana apresentou aumento representativo, no número de casos de contaminação do Covid-19, na região do Vale do São Francisco
Região do Vale do São Francisco
Petrolina/PE e Juazeiro/BA apresentaram juntos 856 novos casos. Número superior ao apresentado na semana anterior, que foi de 647 casos. Isso significa um aumento de 32,3% no número de casos.
Em Juazeiro o aumento foi de 46,5%, em relação a semana anterior. Petrolina também apresentou aumento, de 27,1%, superando os 600 casos em uma semana. Nas últimas 5 semanas, a média de casos semanais supera o total de 550 casos, entre Petrolina e Juazeiro, respectivamente , segundo Relatório de Análise do Avanço do Covid-19 no Vale do São Francisco , realizado pelos professores João Ricardo de Lima , Maria do Socorro Macedo e Caliane Borges, do colegiado dos cursos de economia das Faculdades de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina ( FACAPE e da Autarquia Educacional do Vale do São Francisco ( AEVSF).
A redução no número de UTIs na região torna crítico o Atendimento de pacientes.
Em Petrolina houve uma significativa redução do número de leitos disponíveis, em função do cancelamento promovido pelo Governo do Estado de Pernambuco, conforme relatório de acompanhamento realizado pela prefeitura do município de Petrolina, divulgado no seu relatório diário da situação de Covid no município, onde em 01 de novembro, existiam 61 Leitos de UTI disponíveis e agora apenas 33, portanto uma redução de quase 46%, no número de UTIs.
Para enfrentar esta pandemia é fundamental que a infraestrutura de saúde, esteja preparada para um possível aumento de casos, que precisem de internação em UTI.
O Governo do Estado de Pernambuco fechou o hospital de Campanha de Petrolina/PE, alegando baixa taxa de ocupação, o que causou uma redução de 20 leitos de UTI.
Até do Hospital Universitário foram desativados 10 unidades em 05/11, por falta de pacientes.
Contudo, foram contratados mais dois leitos no Neurocardio, no dia 27/11. Mesmo assim, o total de leitos caiu de 61 para 33, em Petrolina, no mês de novembro.
Dos leitos públicos disponíveis em Petrolina, 18 estavam em uso, ou seja, 54,55% de ocupação) em 05/12.
Em Juazeiro, dos 28 leitos de UTI públicos existentes dentro da cidade, 11 estavam ocupados, (taxa de ocupação de 39,29%) em 05/12.
Tudo isso visando reduzir a quantidade de óbitos na região, que mostra a média móvel de novos óbitos, para Juazeiro/BA e Petrolina/PE. Em Juazeiro, a linha da média móvel aumentou. A última média móvel (05/12) são 0,57 novos óbitos, enquanto 7 dias atrás foram 0,14. Em Petrolina, a média móvel também aumentou. O último dado indica 1 novo óbito, enquanto 7 dias atrás era 0,29.
A contaminação cresce com a redução do número das UTIs.
Petrolina permanece com 33 leitos, sendo que ontem (05/12) haviam 18 leitos ocupados (54,5%) sendo 11 pacientes de Petrolina e 7 de outras cidades. Dos 28 leitos que existem na cidade de Juazeiro, o (Hospital regional tem 20 e UPA tem 8), dentre estes, 11 estavam ocupados, sendo 5 pacientes de Juazeiro.
Crescem o número de testes para detectar novos casos
As cidades também passaram a testar mais, nesta última semana, a testagem é fundamental, para detectar novos casos.
Na ultima semana foram realizados 3697 testes, contra 2440 na semana anterior, um aumento de 51,5%.O aumento no número de testes gera mais confiança nos dados. Mostra a quantidades de testes que são realizados semanalmente.
Juazeiro testa muito menos do que Petrolina/PE. As duas cidades reduziram a quantidade de testes diários, até meados de setembro e, depois aumentaram. Petrolina testa atualmente, cerca de 2.000 pessoas por semana e, Juazeiro, aproximadamente, 500 pessoas por semana, ou seja, 1/4 do total da vizinha pernambucana. Contudo, nesta última semana este percentual passou para 1/6, pois Petrolina, bateu recorde de testes
Cuidados devem ser redobrados entendendo que a pandemia não acabou
O grande efeito da flexibilização está nas aglomerações, proporcionada principalmente, por locais que geram entretenimento, como festas, bares e restaurantes , confraternizações.
Não é momento para excessos, mas sim, de redobrar os cuidados, como orienta a Campanha do Jornal do Sertão, Não dê chance ao Perigo.
As pessoas nesse momento, sentem -se cansadas da pandemia, mas a pandemia não cansou delas. Assim, os cuidados precisam ser redobrados e todas as medidas de prevenção devem ser seguidas Um alerta com exemplos internacionais
Conforme alerta o Professor João Ricardo, da Faculdades de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina ( FACAPE) , as pesquisas nacionais e internacionais mostram que, são os jovens quem mais se contaminam. Contudo, não é no grupo de idade mais jovem que mais ocorrem óbitos.
Possivelmente isso contribua na explicação da perda do medo de se contaminar, por parte dos mais jovens, por estarem se aglomerando, cada vez mais e, relaxando as medidas de proteção, tão fundamentais.
Eles perceberam que a taxa de mortalidade é baixa e, sobretudo, possuem menor possibilidade de vir a óbito.
O que eles devem prestar atenção, porém, é que eles podem contaminar seus parentes mais idosos, conhecidos, vizinhos ou pessoas com outros problemas de saúde e, colocá-los todos em risco. Reforca o professor Joao Ricardo, com base em dados de pesquisas .
“Dados não tomam decisões, quem toma decisões são pessoas .”
As informações mostram que o número de casos de mortes, por COVID19, têm crescido no Vale do São Francisco, fundamentado nos dados divulgados diariamente, pelas secretarias de saúde de Petrolina e Juazeiro.
Os professores do colegiado de economia esperam que as informações possam auxiliar os tomadores de decisão, na definição de ações e políticas públicas, que contribuam para reduzir o número de pessoas infectadas e de mortes, assim, como os efeitos econômicos e sociais derivados.
JS Saúde