Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 11 de junho de 2026

Cidades

Ciclo festivo do boi em Arcoverde faz parte das celebrações natalinas

Simbolicamente, o boi nasce no Natal, marca presença na queima da Lapinha com as tradições dos reisados, segue com o Carnaval e termina no São João, auge do ciclo

Postado em 12/12/2020 15:49

Foto: Amanda Oliveira

Mesmo com os efeitos da pandemia da Covid-19, o clima do Natal, presente dentro de cada sertanejo, já está no ar, sendo celebrado. Esta festa marca o início do ciclo festivo do Boi no município de Arcoverde, no Sertão do Moxotó. Simbolicamente, o Natal representa o nascimento do Boi, que continua presente na queima da lapinha com as tradições do reisado, segue animando o Carnaval e termina as suas apresentações no São João, até que um novo ciclo seja retomado no natal do ano seguinte.

O Natal no Sertão de Pernambuco

O Natal marca o início das nossas apresentações em diversas festas, tanto aqui em Arcoverde, quanto em diversos municípios do Sertão, entre eles Triunfo e Buíque. Este ano, por causa da pandemia, não vamos realizar essas apresentações. Para este período, só teremos participação no 6º Encontro da Liga dos Bois e em um circo aqui de Arcoverde. Depois dessa pandemia, está difícil viver como artista”, afirma o presidente e mestre do Boi Cafuné, Jymmy Webbe.

A História

Em Arcoverde, a tradição remonta à década de 60 e, hoje, já conta com 20 grupos, sem contar com as La Ursas e os similares, que fazem parte dos festejos do boi. “A mestra Severina Lopes, que comanda o Samba de Coco Irmãs Lopes, figura lendária da cultura de Arcoverde, nos conta que o Boi chegou ao município na década de 60 e foi introduzido nas rodas de coco realizadas na área rural, durante as construções das casas de taipa. Os grupos de moradores se reuniam em torno de uma fogueira e dançavam coco por horas.

O boi girava cada vez mais forte. Em alguns casos, o giro era tão forte que as labaredas das fogueiras subiam, dando origem ao Boi Labareda. Nesta época, o boi mantinha a tradição de realizar as suas manifestações no alto da serra, na área rural, e só durante o carnaval, descia para animar o público”, nos conta o presidente da Liga Cultural dos Bois de Arcoverde, Everaldo Marques.

O tempo passou e a tradição dos bois foi se disseminando em Arcoverde. Do Boi do alto da Serra, nasceram outros filhos, a exemplo do Boi Misterioso, Boi Estrela, Boi Boiola, Boi Solar, entre outros grupos. A alegria, o colorido e a musicalidade do Boi atraiu outras figuras do folclore, que resolveram participar da festa. Este é o caso das La Ursas e dos similares, que sempre chegam para participar da festa do boi.

Foto: Divulgação

Boi Cafuné tem 37 anos de atuação, surgiu em 1983, no bairro São Cristóvão, na periferia de Arcoverde e é o boi mais antigo em atividade no município. Nos anos 80, 82, a tradição do carnaval de Arcoverde eram as Escolas de Samba e os bois, mas nem todas as pessoas tinham oportunidade de participar. “Por isso, resolvemos criar o Boi Cafuné para nos divertirmos e celebrarmos o carnaval. A agremiação cresceu e, hoje, conta com integrantes, comandados pelo Boi Cafuné e Urso da Cara Preta. Bom Conselho, Sertânia, Garanhuns, Pedra, Alagoinha, Itaíba, Tupanatinga. O Boi Cafuné tem a tradição de reunir os apaixonados pelo tradicional boi do terreiro, levando alegria ao público comandados por uma orquestra de frevo”, reforça Jimmy.

 

JS Cidades