
Economista do Sertão alerta que falta de alternativas econômicas é como flertar com a barbárie nesta quarentena
Segundo o professor da Faculdade de Petrolina (Facape), João Ricardo, pode sim haver mais desemprego por causa da quarentena. Mas no Vale do São Francisco, o agronegócio, por exemplo, não vai parar por ser essencial e ele gera muito emprego e renda no Vale do São Francisco. A quarentena, que fechará os serviços não essenciais em Pernambuco, vai de 18 a 28 de março.
Postado em 15/03/2021 19:59

As ruas ficarão mais vazias no Sertão na quarentena Estadual. Foto: Reprodução TVGR
Na tarde desta segunda-feira, 15 de março, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, anunciou o fechamento dos serviços não essenciais em todo o Estado. A quarentena entra em vigor na próxima quinta-feira, 18, e segue até o dia 28 deste mês.
Por isso, o Jornal do Sertão quis saber quais os principais impactos econômicos dessa nova medida restritiva. Segundo o economista e coordenador da pesquisa do Colegiado de Economia da Faculdade de Petrolina (Facape) que analisa os números da Covid-19 no Vale do São Francisco, João Ricardo, essa restrição tornou-se indispensável diante do cenário da pandemia no âmbito Estadual e regional e da postura de parte da população.

Foto: Professor de Economia da Facape João Ricardo. Foto: Divulgação/Facape
“Mesmo sendo tão exaustivamente explicado em todos os meios de comunicação que a pandemia não tinha acabado, uma parcela significativa da população relaxou nas medidas de proteção. Infelizmente o vírus se tornou mais contagioso e mais letal. Na segunda quinzena de fevereiro a quantidade de novos casos semanais voltou a crescer. Nas últimas semanas a quantidade de óbitos também cresceu de forma mais acelerada. Já estava acelerando desde novembro mas aumentou a velocidade. As soluções possíveis para reduzir a velocidade com que o vírus se espalha e tentar salvar mais vidas são: aumentar a quantidade de leitos de UTI disponíveis e aumentar o isolamento social”, explicou o professor.
Situação da pandemia no Sertão
João Ricardo pontuou que no Sertão do Estado várias medidas foram tomadas para tentar achatar a curva de crescimento da doença. No entanto, a situação ainda está complicada. “No Sertão procurou-se aumentar a quantidade de leitos de UTI disponíveis, que chegou agora a 71 leitos em Petrolina, dez a mais do que no pico da pandemia em 2020. Paralelamente, se procurou reduzir as aglomerações com toque de recolher e fechamento de parte do comércio ligado ao entretenimento noturno. E, mais recentemente, se lançou mais de fechamento de atividades não essenciais nos finais de semana. Esgotadas todas as possibilidades, resta agora fechar tudo o que não for essencial por 10 dias. Talvez fosse o caso de se fazer por duas semanas, mas o Governo do Estado escolheu 10 dias. Espera-se que isso tenha impacto da redução dos novos casos e dos novos óbitos e que se possa fazer a reabertura depois de 28 de março”, explicitou o economista.
Há pessoas preparadas para o fechamento temporário das atividades não essenciais
Para João Ricardo, não é exagero dizer que nessa pandemia há apenas dois lados. O lado de gestores e da população que defendem medidas restritivas para evitar a escalada da doença e do outro, pessoas que querem viver normalmente, com crescimento econômico e ainda assim não sofrer com a Covid-19.
“Ao que parece, a população não quer que o comércio feche, não quer parar de se aglomerar e não quer morrer de Covid-19. Infelizmente não se pode ter tudo. O fechamento das atividades comerciais, por um lado, tem um impacto menor do que quando ocorreu o maior isolamento no ano passado. O motivo é que as pessoas estão melhor preparadas, elas encontraram soluções no ano passado e vão voltar a trabalhar com delivery, redes sociais, etc., para se conectar com a demanda. Inúmeros aplicativos de celular foram criados e as pessoas já os conhecem e sabem manusear. Profissionais liberais de algumas categorias como personal trainer vão voltar a dar aula nas residências dos alunos. Outros vão voltar para o home office. É o famoso ‘vamos ver de novo’, ou seja, reviver o filme já visto. O agronegócio não vai parar novamente, por ser essencial. Ele gera muito emprego e renda no Vale do São Francisco. Contudo, existem setores que vão precisar de apoio governamental, linhas de crédito com juros mais acessíveis pois ainda não se recuperaram da crise que já vem de alguns anos e se agravou com a pandemia. Para se ter acesso a esse recurso não pode ser um processo altamente burocrático e demorado”, citou o economista.
Mas há o lado mais perverso: o desemprego
No entanto, o professor João Ricardo destacou que não dá para dizer que não haverá desemprego e nem aumento da pobreza. “Existem os trabalhadores que vão perder os seus empregos e que tem família para alimentar. Não existe outra opção que não seja transferência de renda do governo para este pessoal. Impor medidas de restrição maior sem oferecer para a população uma alternativa contra a fome é flertar com a barbárie”.
Detalhes da quarentena em Pernambuco

Governador de Pernambuco anunciou quarentena em todo o Estado. Foto: Reprodução YouTube
A decisão foi tomada após análise do Gabinete de Enfrentamento à Covid-19 Segundo Câmara, a decisão tem como meta conter o avanço da doença já que o Estado está enfrentando a segunda onda, com uma taxa de ocupação de UTI acima dos 95%. “É preciso reverter essa tendência para proteger cada vida e vencer. Adotamos novas medidas sociais e econômicas buscando reduzir o impacto da pandemia, mesmo diante de uma crise que também atinge o governo”, destacou o governador de Pernambuco.
Durante 11 dias, só poderão funcionar os serviços considerados essenciais como supermercados; padarias; farmácias; postos de combustíveis; petshop; clínicas, ambulatórios e similares; bancos e lotéricas; transporte público; indústrias, atacado e termoelétricas; construção civil; material de construção; materiais e equipamentos de informática; lojas de materiais e equipamentos agrícolas, oficinas e assistências técnicas e lojas de veículos.
Veja os serviços que não podem funcionar na quarentena
