
A caprinocultura ganha força no Sertão. Por Geraldo Eugênio
Quem anda por essas bandas está cansado de saber que os municípios de Sertânia e Floresta são polos importantes da caprinocultura pernambucana e locais onde há de se encontrar uma boa carne de bode.
Postado em 21/10/2021 16:14

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação
Algum momento atrás foi dito dos inúmeros programas de apoio à atividade que falharam. De construção de abatedouros, disponibilização de automóveis para dar apoio à sanidade e reprodução, introdução de novas raças, inserção da carne entre os principais restaurantes e no cardápio dos mais renomados chefs, entre tantas outras iniciativas. Um amigo meu colocou de forma bastante clara. O negócio não prospera porque não conta com CNPJ. Em outras palavras, era uma atividade sem uma base de apoio empresarial que, valorizando o produto irradiassem os ganhos a todos os elos da cadeia produtiva.

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Uma luz se acende
Nos últimos anos, a AD Diper e o Sebrae têm estado juntos no apoio à atividade, destacando-se as superintendências do Sebrae PE em Araripina e Serra Talhada. Contando como apoio de bons consultores e um acompanhamento em que se realça os direitos e deveres de cada parte, há sinais visíveis do fortalecimento da cadeia produtiva iniciando-se pelo ganho de produtividade. Cuidados básicos foram levados em consideração. O primeiro é que não há pecuária sem alimento e água. Estes dois fatores são os que de mais importantes tem que ser visto, seguindo-se os cuidados com a sanidade e a reprodução. No caso da alimentação, o esforço de difusão do plantio adensado da palma forrageira e, e a adoção de cultivares tolerantes á cochonilha do carmim merecem destaque.
A demanda alimentar e hídrica
Estou quase convencido dos argumentos postos por minha amiga Raquel Silva, analista do Sebrae PE, em Serra Talhada. Uma boa cabra leiteira consome um décimo do que consome uma vaca e consegue resultados mais eficientes em termos de produtividade. Uma outra linha de raciocínio poderosa é que nem todo pequeno e médio produtor conta com área em sua propriedade capaz de sustentar um pequeno rebanho bovino, mas, com certeza pode contar com um rebanho caprino que lhe proveja parte de sua renda. São os mesmos argumentos da Rossana Webster, gestora da Gerência do Sebrae em Araripina. No último final de semana, aqui no Pajeú ocorreram três dias de campo, na sexta-feira, dia 15 de outubro, em Floresta; no sábado, em Serra Talhada e no domingo, 17 de outubro de 2021, em São José do Belmonte. Uma movimentação da turma do José Henrique para ninguém colocar defeito. Que este esforço seja levado à frente, levando-se em consideração a construção de uma rede de apoio que conta com a participação determinante do colega da UFRPE-UAST, Professor Thieres George, fornecendo raquetes da cultivar Orelha de Elefante Mexicana; dos técnicos das secretarias municipais de agricultura e das associações ou grupos de caprinocultores.
Opções de negócios, o alimento animal
Uma outra atividade complementar a este esforço também comentado em algum momento em colunas anteriores é o da produção de alimento animal como atividade econômica. Tive a oportunidade de visitar a fazenda de um amigo e pude constatar quão esquecido estava um plantio de três hectares de palma e outros três hectares de capim elefante, produzindo comida em quantidade bem além do que seu rebanho consome. Não tive receio em lembrar-lhe de que poderá se tornar um fornecedor de alimento e passar a fazer daquilo um negócio. Não vejo como não ser algo a se implementar. Este é um sistema muito conhecido no Agreste Meridional e no Sertão de Alagoas.
Sempre haverá alguém comprando ração para seu rebanho.
No último sábado à noite, durante à livre do Blog Pingos de Leite, uma iniciativa do amigo Moshe Dayan, assisti aos depoimentos insuspeitos do produtor sergipano Martinho e do Magnífico Reitor da UFAPE, Prof. Airon Melo sobre o incomparável trabalho realizado na Estação Experimental do IPA, em Arcoverde – PE, pelo colega Djalma Cordeira dos Santos com cultura da palma forrageira e quão importante tem sido este esforço para a pecuária nordestina. Faço este registro por haver entendido de modo nítido que não há como se pensar em pecuária no semiárido sem se contar com o cultivo e o uso devido da palma forrageira. Aproveito O momento para prestar meu reconhecimento e agradecimento às figuras dos amigos Djalma Cordeiro, do IPA; Raimundo Reis, Zootecnista e consultor baseado no estado do Ceará, no momento realizando um trabalho em Pernambuco junto à AD Diper; Professor Marcelo Ferreira, do Departamento de Zootecnia, da UFRPE Recife; Magnífico Reitor Airon Melo, da UFAPE, aos amigos Paulo Suassuna e Alberto Suassuna e ao colega da UFRPE-UAST, Prof. Thieres George. Eles vêm, ao longo dos anos, trabalhando incessantemente pelo desenvolvimento e difusão da palma e, com isto, apoiando as atividades pecuárias da região. Sem esquecer o esforço admirável do amigo Moshe Dayan, divulgando a pecuária de leite regional, aos sábados, às 19:00 h, no canal do blog Pingosleite no Instagram. O importante é manter o sistema em movimento ascendente. Sem alardes, mas conquistando o terreno metro a metro nossa pecuária será fortalecida e novos mercados surgirão. Continuemos seguindo a rota traçada.