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Pernambuco, 05 de agosto de 2022

Agronegócios

O que o Semiárido Nordestino espera do próximo governo| Por Geraldo Eugênio

Cada personagem, instituição ou grupo que vive disso, defende a unhas e dentes sua cota de miseráveis e não hesita em sabotar e evitar  a qualquer preço, mesmo fazendo uso da violência, que esses fujam de seus domínios.

Postado em 04/08/2022 2022 19:24 , Agronegócios. Atualizado em 04/08/2022 19:24

Colunista

Geraldo Eugênio, Professor Titular da UFRPE-UAST

Grandes ganhos ocorreram nos últimos vinte anos

A região Nordeste e, em particular o Semiárido, no imaginário da maioria dos brasileiros é uma terra estranha, pobre, quente e mendicante. Um fardo para a nação, como muitos pensam e nem sempre todos falam.

Boa parte desta imagem foi criada e nutrida por nordestinos. A miséria desde há muito tempo tem sido uma grande fonte de prestígio, voto e recurso. Cada personagem, instituição ou grupo que vive disso, defende a unhas e dentes sua cota de miseráveis e não hesita em sabotar e evitar  a qualquer preço, mesmo fazendo uso da violência, que esses fujam de seus domínios.

As mudanças foram ocorrendo aos poucos, mas o movimento de maior densidade em construir uma nova face da região se deu com a disseminação de institutos técnicos, faculdades e universidades neste mundo de meu Deus.

Em um período extremamente curto, menos de vinte anos, conta-se com mais de cem instituições de ensino profissional localizadas no interior do Brasil e milhares de jovens concluindo seus cursos a cada ano.

Aportou-se à região o que se considera de mais nobre: inteligência e conhecimento, restando cuidar do ambiente de forma que esses talentos não sejam sugados por outras regiões ou países ou se vejam em posição incompatíveis com o que pretendiam ao ingressar em uma dessas escolas.

 As portas foram sendo abertas

Os candidatos têm a mania de chamar a si, aquilo que fizeram e em maior intensidade o que não fizeram. Neste jogo bruto não há espaço para o respeito e o reconhecimento de um terceiro. Vale tudo. Considerando que o que nos interessa é o futuro devemos lembrar aos aspirantes a Presidência da responsabilidade que a nação tem para com jovens financiados por um período de duas décadas, com recursos públicos, e estão disponíveis no mercado.

A tecnologia definiu um novo padrão        

A tecnologia da informação, destacando-se a internet e suas aplicações, há trinta anos vem colocando o mundo de ponta cabeça. São dezenas de aplicações e mudanças radicais nos perfis de alguns segmentos, como é o caso do bancário. As filas enormes nas agências bancárias durante o dia de feira são coisas que os jovens sequer imaginam. A dificuldade em se sacar, depositar ou requisitar um talão de cheques significava uma boa quantidade de horas e trabalho.

A compra de qualquer produto, dos alimentos se dava essencialmente de forma presencial e poucas eram as opções diferenciadas de transações comerciais. A pandemia da Covid 19 acelerou esta tendência e segmentos como o ensino, a prestação de serviços de contabilidade, cobrança, justiça mudaram radicalmente e continuam avançando sem que haja perspectiva de uma reviravolta.

Resolva-se o problema da logística

Foi comentado aqui a importância da BR 232 e da Ferrovia Transnordestina, EF 232, para o desenvolvimento de Pernambuco. O estado necessita, para cumprir seu papel histórico de sua eficiência no comércio, na venda direta, no papel do mascate.

Sendo assim, caberá ao estado provocar os principais candidatos à Presidência, quando ocorrerá a duplicação da BR 232 entre São Caetano e Salgueiro e quando um comboio partindo de Eliseu Martins, no estado do Piauí chegará ao Porto de Suape. Dois empreendimentos que demandarão um grande esforço, significativo aporte de recursos, sejam públicos ou privados, e uma determinação férrea de ver a expectativa se tornar fato.

A importância da redução dos custos dos transportes de cargas e pessoas será fundamental para a dinamização da produção e do comércio no Agreste e Sertão de Pernambuco. A distância entre Barreiras e Belo Jardim, por exemplo, encarece a saca do milho em vinte reais, o que torna a produção local competitiva sabendo melhor explorar esta vantagem. O deslocamento das pessoas, idem. As passagens de ônibus e outros veículos automotivos têm impedido a mobilidade e o aproveitamento de oportunidade por parte das pessoas. Esta também deve ser uma demanda a ser posta à mesa.

A internet no campo

Por último, mas não menos importante é a chegada da internet 5G ao campo. O telefone celular chegou a todos os locais, na mão de todos, bem como a internet. Agora deve-se contar com este instrumento como base à mudança radical que se espera do mundo rural do Semiárido de Pernambuco, na próxima década. Haverá uma mudança radical no uso da tecnologia em práticas de produção, transferência de tecnologia, beneficiamento, comércio, resultando na agregação de valor aos produtos. Esta tendência independe de governos, mas a participação desses acelerará a transformação em uma escala ainda maior do que a Pandemia vez com o comércio eletrônico. Este é o terceiro ponto a ser considerado pelas lideranças nordestinas.

Certamente que não se trata de uma fatura a ser apresentada aos presidenciáveis, apenas. Cabe também aos candidatos ao governo e ao parlamento. Esses devem ser abordados de forma mais específica por estarem se predispondo a gerirem o território ou legislarem por seus respectivos estados. Uma coisa é certa. Não dá para deixar esta oportunidade passar em branco. Amarrar compromissos e acompanhar o que foi negociado.