
Bastidores de 2026: A fervura silenciosa na chapa majoritária de Raquel Lyra
Adriano Roberto analisa o comportamento dos pretensos candidatos para as duas vagas ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra
Postado em 02/06/2026 07:49

Nos bastidores políticos do Palácio do Campo das Princesas, o clima não é de calmaria, mas de uma fervura silenciosa que promete redesenhar as forças para a disputa ao Senado. A movimentação em torno das vagas na chapa majoritária da governadora Raquel Lyra transformou-se em um intrincado xadrez de alta tensão, onde cada gesto, palavra – ou a ausência dela – carrega um peso cirúrgico.
Presença Constante de Túlio
O sinal mais nítido desse movimento vem da sombra da própria governadora. A presença constante do deputado federal Túlio Gadêlha em agendas oficiais e eventos ao lado de Raquel não é mero protocolo. Na política, proximidade visual é mensagem direta. Ao acenar para Gadêlha, a governadora faz um movimento estratégico em direção ao campo da centro-esquerda e esquerda moderada, tentando ampliar seu arco de alianças e amaciar resistências históricas nesse eleitorado. É um teste de novos nomes que, inevitavelmente, causa arrepios na base mais tradicional.
Xeque-mate de Miguel
Quem não gostou nada do ensaio e já partiu para a demarcação de território foi Miguel Coelho. O ex-prefeito de Petrolina deu um verdadeiro “chega para lá” nas especulações e subiu o tom, avisando que sua candidatura ao Senado está de pé, nem que para isso precise sair de forma avulsa. Miguel representa a densidade política do Sertão e traz consigo um capital que não pode ser ignorado. Seu ultimato eleva a temperatura dos bastidores: uma candidatura isolada fragmentaria o eleitorado governista, dispersando votos e abrindo uma avenida perigosa para a oposição.
O Silêncio Sepulcral de Dudu
Enquanto a corda estica de um lado, do outro o que chama a atenção é o silêncio enigmático do deputado Eduardo da Fonte. Conhecido por sua leitura precisa do tabuleiro pernambucano, o líder do PP está “caladinho, na dele”, apenas observando o cenário. Mas quem conhece o pragmatismo da política sabe: o perigo mora no silêncio. Dudu da Fonte não dá ponto sem nó. O recuo estratégico do PP não significa submissão, mas cálculo puro. Ele sabe o tamanho da bancada que lidera, o peso do seu tempo de TV e a capilaridade de suas bases. Está esperando o desgaste natural das pressões entre Miguel e Túlio para cobrar o preço exato de seu apoio no momento em que a governadora mais precisar.
O fato é que o maior desafio de Raquel Lyra hoje não vem da oposição escancarada, mas sim da complexa engenharia de gerenciar egos e expectativas dentro de sua própria casa. O cobertor das alianças majoritárias é sabidamente curto. Escolher Túlio pode significar perder Miguel e inflacionar o preço de Eduardo da Fonte. A governadora precisará de uma habilidade altamente cirúrgica para costurar esses interesses sem deixar sua base sangrar antes mesmo de a campanha oficial ganhar as ruas.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Pelo desempenho da governadora na pré-campanha dá para marcar que ela vai tirar de letra a formatação da chapa majoritária?