
Candidaturas femininas crescem 9 vezes, mas mulheres seguem sub-representadas no Congresso
Crescimento nas candidaturas não se traduz em cadeiras, e mulheres seguem com menos de 20% da representação no Legislativo
Postado em 16/06/2026 11:52
O número de mulheres que disputam vagas na Câmara dos Deputados cresceu quase dez vezes entre 1998 e 2022, mas o avanço não se refletiu na mesma proporção na ocupação de cadeiras. Enquanto as candidaturas saltaram de 358 para 3.668 no período (alta de 925%), o total de deputadas federais eleitas passou de 29 para 90, crescimento de 210%.
Os dados são do Portal da Classe Política, lançado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Nas eleições de 2022, as mulheres ocuparam 17,5% das cadeiras da Câmara e 17,8% nas assembleias legislativas estaduais — os maiores percentuais da série histórica, mas ainda abaixo de 20% da representação total.
Apesar da exigência legal de mínimo de 30% de candidaturas por gênero, especialistas apontam que a desigualdade no acesso a recursos de campanha, menor espaço de decisão nos partidos e o uso de candidaturas fictícias (“laranjas”) limitam a competitividade feminina.
Segundo o pesquisador Nilton Sainz, o cenário evidencia que o crescimento numérico de candidaturas não garante, por si só, maior representatividade. A baixa presença feminina no Legislativo também impacta diretamente a formulação de políticas públicas, especialmente em áreas como combate à violência de gênero e políticas de cuidado.
O portal reúne dados de 14 eleições, de 1998 a 2024, e permite análises detalhadas sobre candidaturas, financiamento e perfil dos eleitos em níveis municipal, estadual e federal.