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Setembro amarelo: uma sociedade que acolhe também salva vidas

Setembro chega trazendo uma cor que nos convida a parar, olhar ao redor e lembrar de algo essencial: a vida precisa ser cuidada todos os dias. Mais do que uma campanha de conscientização, o Setembro Amarelo representa um chamado à escuta, ao acolhimento e à valorização da vida. É um período para falarmos sobre saúde mental com responsabilidade, quebramos tabus e compreendermos que pedir ajuda é um ato de coragem.

Como trabalhadora do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e atualmente coordenadora do Serviço de Família Acolhedora (SFA) do município de Cabrobó/PE, tenho aprendido diariamente que cuidar de pessoas também significa fortalecer vínculos, ouvir histórias, compreender diferentes realidades e reconhecer que cada família carrega suas próprias lutas e desafios.

No trabalho social, percebemos que ninguém vive isoladamente. Uma rede de proteção fortalecida faz diferença. Família, amigos, comunidade, saúde, assistência social, educação e demais políticas públicas precisam caminhar juntos para que as pessoas encontrem apoio nos momentos em que mais precisam.

E existe algo que todos nós podemos fazer: estar disponíveis para ouvir. Nem sempre aquele que sofre consegue dizer claramente o que está sentindo. Por isso, precisamos olhar além das aparências. Perguntar “como você está?” e realmente estar disposto a ouvir pode ser o primeiro passo para uma conversa importante.

O Setembro Amarelo nos lembra ainda que não precisamos ter todas as respostas para oferecer acolhimento. Muitas vezes, o mais importante é não minimizar a dor do outro, não julgar e incentivar a busca por ajuda especializada. Em nossa sociedade, onde tantas vezes somos cobrados para demonstrar força, precisamos também aprender que há força em reconhecer os próprios limites, falar sobre o que sentimos e aceitar ajuda.

Que neste Setembro Amarelo possamos transformar a conscientização em atitudes concretas: mais diálogo dentro de nossas famílias, mais empatia nas relações, mais cuidado com nossas crianças, adolescentes, idosos e adultos, e uma rede cada vez mais preparada para acolher.

Que a cor amarela seja apenas o símbolo. Que o verdadeiro movimento esteja em nossas atitudes. Porque uma sociedade que acolhe, escuta e cuida é uma sociedade que ajuda a proteger vidas. Neste Setembro Amarelo, escolha estar presente. Às vezes, tudo começa com uma conversa.

Em situações de sofrimento emocional ou risco de suicídio, procure ajuda profissional e os serviços de saúde disponíveis em sua região/ou cidade. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. No entanto, é importante destacar que o CVV não substitui atendimento médico ou psicológico de emergência. Em uma situação de risco imediato, deve-se procurar um serviço de emergência ou uma unidade de saúde da sua cidade.

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