
Ciclo festivo do boi em Arcoverde faz parte das celebrações natalinas
Simbolicamente, o boi nasce no Natal, marca presença na queima da Lapinha com as tradições dos reisados, segue com o Carnaval e termina no São João, auge do ciclo
Postado em 12/12/2020 15:49

Foto: Amanda Oliveira
O Natal no Sertão de Pernambuco
O Natal marca o início das nossas apresentações em diversas festas, tanto aqui em Arcoverde, quanto em diversos municípios do Sertão, entre eles Triunfo e Buíque. Este ano, por causa da pandemia, não vamos realizar essas apresentações. Para este período, só teremos participação no 6º Encontro da Liga dos Bois e em um circo aqui de Arcoverde. Depois dessa pandemia, está difícil viver como artista”, afirma o presidente e mestre do Boi Cafuné, Jymmy Webbe.
A História
Em Arcoverde, a tradição remonta à década de 60 e, hoje, já conta com 20 grupos, sem contar com as La Ursas e os similares, que fazem parte dos festejos do boi. “A mestra Severina Lopes, que comanda o Samba de Coco Irmãs Lopes, figura lendária da cultura de Arcoverde, nos conta que o Boi chegou ao município na década de 60 e foi introduzido nas rodas de coco realizadas na área rural, durante as construções das casas de taipa. Os grupos de moradores se reuniam em torno de uma fogueira e dançavam coco por horas.
O boi girava cada vez mais forte. Em alguns casos, o giro era tão forte que as labaredas das fogueiras subiam, dando origem ao Boi Labareda. Nesta época, o boi mantinha a tradição de realizar as suas manifestações no alto da serra, na área rural, e só durante o carnaval, descia para animar o público”, nos conta o presidente da Liga Cultural dos Bois de Arcoverde, Everaldo Marques.
O tempo passou e a tradição dos bois foi se disseminando em Arcoverde. Do Boi do alto da Serra, nasceram outros filhos, a exemplo do Boi Misterioso, Boi Estrela, Boi Boiola, Boi Solar, entre outros grupos. A alegria, o colorido e a musicalidade do Boi atraiu outras figuras do folclore, que resolveram participar da festa. Este é o caso das La Ursas e dos similares, que sempre chegam para participar da festa do boi.

Foto: Divulgação
Boi Cafuné tem 37 anos de atuação, surgiu em 1983, no bairro São Cristóvão, na periferia de Arcoverde e é o boi mais antigo em atividade no município. Nos anos 80, 82, a tradição do carnaval de Arcoverde eram as Escolas de Samba e os bois, mas nem todas as pessoas tinham oportunidade de participar. “Por isso, resolvemos criar o Boi Cafuné para nos divertirmos e celebrarmos o carnaval. A agremiação cresceu e, hoje, conta com integrantes, comandados pelo Boi Cafuné e Urso da Cara Preta. Bom Conselho, Sertânia, Garanhuns, Pedra, Alagoinha, Itaíba, Tupanatinga. O Boi Cafuné tem a tradição de reunir os apaixonados pelo tradicional boi do terreiro, levando alegria ao público comandados por uma orquestra de frevo”, reforça Jimmy.
JS Cidades