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Pernambuco, 27 de maio de 2026

Agronegócios

Período chuvoso no Sertão é tempo de alerta para a produtores da fruticultura irrigada

Presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Petrolina, Jailson Lima explica a relação da chuva com a produção; E o meteorologista da Univasf, Mário Miranda fala da previsão para os próximos dias.

Postado em 11/02/2021 19:30

Colunista
Jornalista ,

O período chuvoso do Sertão é sempre muito esperado pelos produtores rurais, especialmente aqueles que não contam com sistema de irrigação. Mas para os produtores rurais, em especial da fruticultura irrigada, os veranicos, que são alguns dias sem ocorrência de chuva, acabam sendo mais bem quistos.

A previsão do tempo para os próximos dez dias para o Sertão pernambucano de chuvas isoladas, foi prontamente confirmada. Apenas em dois dias o semiárido viu precipitações, mas ainda de maneira isolada. 

Veranicos

O meteorologista e coordenador do Laboratório de Meteorologia (LabMet) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Mário Miranda explicou que os veranicos são mais comuns do que se imagina. “Como nós estamos dentro do período chuvoso (até abril), quando a gente tem alguns dias sem ocorrência de chuvas, dentro da estação chuvosa, de até 15 dias, nós não chamamos isso de seca. Nós chamamos isso de veranicos. São paradas de chuva dentro da estação chuvosa. Isso é muito comum no período de chuva do Semiárido nordestino. Então nós tivemos no mês de janeiro em algumas áreas com essas situações de ocorrência de veranicos, uns com mais dias e outros com menos dias. E também tivemos nos primeiros dias de fevereiro essa situação. Então, isso não significa um período chuvosos atípico”, pontuou Mário Miranda.

Bom para a fruticultura irrigada…

Para a fruticultura irrigada esses períodos sem chuva intensa trazem muito mais benefícios. Quem explica é o presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Petrolina, Jailson Lira. “As altas pluviosidades afetam sim a produção agrícola na região. Afetam negativamente, inviabilizando a qualidade e a durabilidade da fruta para atingir mercados melhores e mais distantes. As chuvas de longa duração prejudicam por favorecer a proliferação de fungos oportunistas e a podridão das produções, além de provocar a lixiviação de macro, micronutrientes e matéria orgânica, que estão à disposição das plantas”.

Jailson Lira presidente do sindicato dos produtores. Foto: Divulgação.

Vale pontuar que a lixiviação é um verdadeiro pesadelo para os agricultores. O fenômeno acontece quando a chuva cai no solo, carrega os nutrientes minerais que estão na superfície, para camadas mais profundas e deixa o solo mais pobre em nutrientes.

E a previsão?

E para os próximos dias? Será que já houve mudança nos agentes que influenciam as chuvas? O Jornal do Sertão falou com o coordenador do Laboratório de Meteorologia (LabMet) da Univasf. Mário Miranda que contou se houve alteração.

Lá vem chuva!

“De acordo com as previsões que nós temos, embora as probabilidades sejam pequenas, em torno de 60%, existe possibilidade de voltar a chover aqui na região a partir do dia 16 de fevereiro. Mas pode vir antes ou um pouco depois. E a ocorrência de resfriamento do Oceano Atlântico, nessa faixa ao sul do Equador, como foi observado, é prejudicial a ocorrência de chuva aqui no Sertão nordestino como um todo. Mas houve uma melhora e a resposta a gente já está tendo nessas chuvas que estão ocorrendo”, justificou o meteorologista. 

Como proteger a produção?

De acordo com as previsões, O Sertão não deve vivenciar chuvas tão fortes como aconteceu em 2004, quando o Vale do São Francisco contabilizou grandes prejuízos na fruticultura. No entanto, mesmo as chuvas isoladas, podem sim significar perdas de produção. 

 

Por isso, além de ficar de olho nas previsões do tempo, os produtores também precisam tomar outras medidas. “Dependendo da cultura, os produtores protegem sua lavoura com lonas e outras formas de cobertura. Além disso, após as chuvas os produtores terão que avaliar a fertilidade do solo para recompor a nutrição da planta”, recomendou o presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Petrolina.

JS Agro

Jornalista Carol Souza Editor Antônio José