Colunista

DANIEL LIMA - PSICANÁLISE NO COTIDIANO

O que a fofoca diz sobre nós

A fofoca tem má fama. Associamos o hábito à superficialidade, à maldade miúda, ao tempo perdido. Mas talvez essa condenação seja apressada demais

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A criança que fomos e o natal que inventamos: retornos do inconsciente 

O Natal tem uma capacidade singular de despertar afetos que não pertencem apenas ao presente. Basta um cheiro, uma música ou um gesto familiar para que emoções antigas retornem com força. Isso acontece porque nossa vida psíquica guarda traços que não seguem o tempo do calendário; certas experiências infantis permanecem ativas e são facilmente reativadas quando a atmosfera natalina se aproxima. Por isso tantos se surpreendem com uma alegria intensa ou, ao contrário, com uma tristeza que não sabem explicar: são ecos de uma história emocional profunda.

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O paradoxo da escolha: quando a liberdade se transforma em prisão

Lacan acrescenta uma camada fundamental ao distinguir entre desejo e demanda. Quando o mercado nos oferece infinitas opções, ele responde a uma demanda — a solicitação de objetos que supostamente preencheriam nossas faltas. Mas o desejo opera em outro registro: ele não se satisfaz com objetos concretos, pois sua estrutura é constitutivamente deslizante

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Finados: o que permanece quando tudo passa

Em Luto e Melancolia, Freud diferencia o luto da melancolia. No luto, o sujeito reconhece a perda e, pouco a pouco, se reconcilia com a realidade. Na melancolia, a perda é negada, e a dor se volta contra o próprio eu. Em vez de dizer “perdi alguém”, o sujeito sente-se “perdido”. Por isso, Finados tem uma função psíquica tão importante: ele autoriza o luto, dá lugar social e tempo simbólico à dor, impedindo que ela se transforme em silêncio destrutivo. Lamentar é, paradoxalmente, um modo de preservar a vida.

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O Carrinho Vazio e o Coração Cheio

A Black Friday revela algo profundo sobre a condição humana: nossa relação complexa com o desejo e a falta. Freud descobriu que somos seres constituídos pela falta — não uma deficiência, mas o motor que nos move. O marketing explora isso vendendo não objetos, mas promessas de completude.

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