
Exclusivo: Olhar Sertanejo diante da pandemia de Covid-19 além do Sertão
O Jornal do Sertão conversou com três sertanejas que enfrentam a pandemia longe da região, no Brasil e no Exterior
Postado em 03/02/2021 11:49

Foto: Divulgação
A palavra pandemia fez com que o mundo inteiro compartilhasse os mesmos medos e preocupações com relação à Covid-19. Muitas pessoas estão enfrentando essa situação, até então atípica, bem distantes de casa. Para contar algumas dessas vivências O Jornal do Sertão conversou com sertanejas que estão longe de sua terra natal.
De Curaçá-BA para Manaus-AM
Larissa Brandão, de 35 anos, é jornalista, cursa faculdade de Odontologia, nasceu em Juazeiro-BA, mas se considera uma cidadã de Curaçá. Casada e grávida de seis meses, ela diz que está no “pior lugar” nessa pandemia do novo coronavírus.

Larissa Brandão é uma sertaneja que está grávida em Manaus-AM, que vivenciando um caos na saúde com a Covid-19
“Aqui em Manaus a situação é bem complicada. É o pior lugar para morar nessa época de pandemia, porque assim a doença se alastrou, está um caos. A gente viveu, no dia 14 de janeiro, acho que o pior dia da pandemia, porque faltava oxigênio nos hospitais, públicos e particulares. Pacientes de uma ala inteira morreram. Eu não fiz pré-natal no mês de janeiro porque as clínicas suspenderam os atendimentos”, relatou a gestante.
Isolamento total
“Eu e meu marido estamos trancados há mais de um mês. Todo o trabalho é feito de casa. Compras de supermercado são feitas pela internet. Eu moro em uma avenida bem movimentada e eu já vi dez ambulâncias passando, uma atrás da outra. Então, você fica ali apreensiva. Tem também o toque de recolher, que durante o dia não funciona muito, mas à noite você vê a cidade sem praticamente ninguém, é um ou outro carro passando. É uma situação de terror”, descreveu a jornalista.
Vacinação e fura-filas
“Quando a vacinação começou, teve o problema dos fura-filas. Ela interrompida e retomada há mais ou menos uma semana. Estão vacinando idosos, mas ainda poucos para uma cidade de mais de dois milhões de pessoas. Enfim, a gente espera que tudo isso passe logo, porque é a situação está bem complicada”, afirmou a juazeirense.

Recado de Manaus
“O recado que eu dou para as pessoas é que se cuidem. Porque na primeira onda Manaus começou com o caos. E depois, na segunda onda, o caos se espalhou para outras cidades. E o que a gente espera é que não vá para outros estados essa nova variante (do vírus)”, afirmou Larissa Brandão.
Pandemia em Portugal
Carla Daniella Silva, de 31 anos, também é natural de Juazeiro. Ela, que é engenheira de Produção e mestre em Engenharia Alimentar, está em Portugal há dois anos. Lá o coronavírus chegou mais cedo e as mudanças de rotina foram mais rígidas do que em terras brasileiras.

Carla Daniella é de Juazeiro e conta como a pandemia está atingindo Portugal.
Isolamento total
“Nos primeiros meses de pandemia foi a quarentena, o isolamento total. Onde só eram abertos, supermercados, hospitais. Algumas empresas também seguiram funcionando e eu passei seis meses trabalhado em home office. Sair às ruas era um pouco assustador, porque as pessoas realmente estavam com medo”, contou Carla Daniella.
Início da flexibilização
Com a diminuição dos casos, o governo português fez o isolamento parcial. “Eu voltei ao trabalho, assim como, quase, 60% da população. Foi uma volta. Não foi tão normal quanto às pessoas imaginavam, mas foi muito bom poder rever as pessoas, sair de casa para trabalhar”, lembrou a engenheira.
Nova alto de casos
Carla Daniella conta que com a segunda onda, o isolamento total foi retomado em Portugal. “A curva de crescimento está muito alta. Estão acontecendo muitas mortes por dia. E isso é triste e apavorante, porque, por mais que as pessoas estejam tomando todos os cuidados, os casos ainda não reduziram”, lamentou.

Vacinação em Portugal
A lentidão na vacinação parece que não é um problema exclusivo do Brasil. “Eu já vi algumas reportagens mostrando as pessoas um pouco revoltadas, porque tem muitos países da União Europeia onde, realmente, deslanchou, e em Portugal não teve ainda um grande avanço. A vacinação está acontecendo desde dezembro do ano passado, mas ainda não chegou a uma parcela grande da população”, explicou a engenheira de Produção.
Um ano de pandemia em Malta
A jornalista Gabriela Canário, tem 32 anos, nasceu em Canudos-BA, morou em Senhor do Bonfim-BA, Juazeiro-BA e trabalhava em Petrolina-PE até que resolveu vivenciar a experiência de estudar e trabalhar fora do país. O destino escolhido foi Malta, um país europeu, entre a Sicília e a costa do Norte da África. Lá, o novo coronavírus chegou há um ano.

Gabriela Canário é de Canudos-BA e está enfrentando a pandemia em Malta, na Europa
“O primeiro caso foi registrado no final de janeiro do ano passado. Desde então, eu e todos os residentes daqui estamos evitando transportes públicos. No trabalho a gente mudou toda a rotina. Aqui no meu trabalho, antes de começar o nosso turno, por exemplo, temos que desinfetar os equipamentos”, contou Gabriela, que trabalha como studio manager (gerente de estúdio de TV).
Testagem em massa e constante
Diferente do Brasil, em Malta, segundo Gabriela, a testagem constante é uma das principais armas para controlar a pandemia. “O Governo de Malta oferece testes gratuitos que podem sair no mesmo dia ou em até três dias, dependendo do tipo de teste. Periodicamente nós fazemos esses exames. Eu, por exemplo, já fiz o teste duas vezes”, informou Gabriela, acrescentando que ainda é possível fazer exames na rede privada.
Vacinação sem pânico
Segundo a gerente de estúdio de TV, a vacinação foi iniciada em Malta há mais ou menos dez dias. “Nessa primeira fase estão sendo vacinados apenas os profissionais de saúde, que é a recomendação de todos os governos. Mas não existe pânico aqui em Malta, não existe mais aquela tensão. Há muita mudança, não dá mais para fazer planejamento, os voos sendo cancelados aqui dentro da Europa a todo o momento. E os voos para o Brasil são praticamente impossíveis”, relatou Gabriela.
JS Saúde
