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Pernambuco, 08 de dezembro de 2021

Agronegócios

Ovelha Berganês, uma Criação de Pernambuco

Caprino e ovinocultura, uma demanda histórica

Postado em 15/07/2021 2021 17:00 , Agronegócios. Atualizado em 15/07/2021 17:14

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

Muito provável que em qualquer reunião que trate do desenvolvimento rural no sertão de Pernambuco, a caprino e ovinocultura sejam apresentadas como uma das principais prioridades para o município ou região. Afinal Pernambuco é um dos principais estados produtores de caprinos e ovelhas, destacando-se os municípios de Sertânia, Floresta e Dormentes. Locais que se tornaram centros de feiras reconhecidas e de um negócio crescente. Paralelo a isto um grande esforço tem sido feito ao longo de décadas de modo a tornar as atividades exemplos de relevância do ponto de vista econômico.

Os viajantes do Sertão sabem bem onde fica o Bodódromo, em Petrolina ou um restaurante predileto à beira das estradas e rodovias, em que se serve um delicioso bode assado. Por falar em bode assado, há em Araripina, o famoso restaurante Bode do Zé Pelado, na estrada que dá acesso à Marcolândia, no Piauí, onde se serve um dos melhores bode assado em todo o estado.  Senhor José Pelado foi tão reconhecido por sua destreza que, frequentemente, era convidado do ex-Governador Eduardo Campos para servir esta delícia de prato durante os eventos no Campo das Princesas.

Ovelha Berganês Divulgação

 

O desenvolvimento de um ecótipo de ovino por produtores de Dormentes

Em busca por um animal com melhor porte, bem conformado, melhor acúmulo de carne e marmorização (a disposição da gordura intercalada ao músculo), que dá à carne um sabor especial, particularmente quando se conta com uma vegetação própria, como é o caso da caatinga, alguns produtores de Dormentes, conforme relatam o Dr. Paulo Nogueira Filho, do IPA e a Profa. Sandra Yamamoto, da Univasf, iniciaram na década de 80 do século passado o desenvolvimento de um ecótipo (variante de uma espécie mas que ainda não pode ser denominada de raça), a partir de cruzamentos entre as raças Bergamácia brasileira e Santa Inês. Logo a seguir surgiram em exposições e feiras um animal diferente, com boa conformação, precocidade, boa produção de carne e porte maior do que o tradicional Santa Inês, tão conhecido em todo o Nordeste e até no Sudeste do Brasil. Este trabalho avançou, novos animais puros das duas rações mães foram adquiridos e, atualmente, os produtores de Dormentes contam com um dos mais importantes plantéis de ovino adaptado ao semiárido e sendo criados em todo o Nordeste.

 

Importância da qualidade da carne e do couro

Durante o trabalho de cruzamento e seleção algumas características foram levadas em consideração,  como adaptação ao clima, à vegetação natural e ao manejo implementado. De modo relevante uma atenção especial tem sido dada à qualidade da carne e do couro. O Berganês, como passou a ser denominado este ecótipo, encontra-se em plena expansão no estado. Os pecuaristas têm contado com o apoio e acompanhamento de várias instituições, sendo justo nominar, o Sebrae PE, a Embrapa Semiárido, o IPA, a AD Diper, a Univasf e o Banco do Nordeste, tornando Dormentes um centro de produção e comercialização de genética, de carne de qualidade para os restaurantes de todo o Sertão, de Salvador e Recife, e da pele, como um valioso produto para os curtumes regionais.

 

Reconhecimento aos nossos produtores e melhoristas

Vale uma menção especial aos pioneiros, Sr. Evércio Macedo e Sr. Leonardo Macedo, seus descendentes e vários outros produtores que continuaram o processo seletivo, resultando neste tipo específico de ovelha, que no momento encontra-se em processo de registro como uma nova raça junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Ultimamente a AD Diper vem procurando apoiar as associações de produtores voltadas à atividade em Dormentes, Afrânio e municípios do Sertão, procurando dotar a caprino e a ovinocultura de Pernambuco da dinâmica que essas cadeias produtivas merecem.

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agrônomo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é ex-pesquisador do IPA e Professor Titular em Agricultura e Biodiversidade na UFRPE – UAST, Serra Talhada, PE. Foi Secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Nos últimos anos tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas inovadoras aplicadas à gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.